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1- Introdução
Este
é um trabalho elaborado no âmbito da leccionação da disciplina de
Psicologia Geral que constitui uma das unidades curriculares do curso
da licenciatura em Psicologia, oferecido pela Faculdade de Educação
da Universidade Eduardo Mondlane.
Com
base no tema Personalidade,
o grupo definiu os seguintes objectivos:
1.1- Objectivo geral:
- Compreender a personalidade como qualidade individual.
Objectivos específicos:
- Definir o Conceito Personalidade.
- Explicar o processo de formação da personalidade .
- Identificar os factores que influenciam para a formação da personalidade .
- Distinguir as propriedades da personalidade.
- Identificar as técnicas usadas na mensuração da personalidade.
- Distinguir as teorias da personalidade.
Para
a elaboração do trabalho, o grupo baseou-se na revisão da
literatura.
Estruturalmente,
além desta introdução, apresenta-se a definição do conceito,
formação da personalidade, factores que influenciam para a formação
da personalidade, propriedades da personalidade, teorias da
personalidade, a conclusão e por fim as referências bibliográficas.
2- Definição do Conceito
Personalidade,
etimologicamente, vem da palavra latina persona
que
na antiguidade Greco-romana significava a máscara
usada no palco pelos actores de teatro. Com o tempo, persona
incorporou outros significados como o papel representado pelo actor,
depois desempenhou uma função social e finalmente um cidadão,
portador de determinados direitos e deveres no direito romano. O
estudo científico da personalidade iniciou-se tardiamente a partir
da década de 30 e até essa altura era abordada por teólogos,
filósofos, escritores de romances e de teatro, fisiologistas e
psicanalistas (Pinto, 2001).
Segundo
Pinto (2001) a personalidade
refere-se ao padrão de comportamentos, modos de pensar e de sentir
que permite distinguir uma pessoa de outra e que apresenta uma certa
estabilidade ao longo do tempo.
Para
Davidoff (2001) a personalidade
é um construto sumário, que inclui pensamentos, motivos, emoções,
interesses, atitudes, capacidades e outros. Os psicólogos
contemporâneos referiam-se à personalidade como os padrões
consistentes e duradouros de percepção, pensamento, sentimento e
comportamento que dão às pessoas identidade distinta.
De
acordo com Weiten (2002) o conceito de personalidade
é utilizado para explicar a estabilidade no comportamento de uma
pessoa ao longo dos anos e em diferentes situações e para explicar
as diferenças de comportamento entre as pessoas ao reagir à mesma
situação. Numa mesma ideia, podemos concluir que, personalidade
refere-se à constelação singular de traços de comportamento
consistentes de um indivíduo.
Traços
de personalidade são uma tendência duradoura a comportar-se de uma
determinada forma em uma diversidade de situações. Adjectivos como
honesto, digno de confiança, temperamental, impulsivo, ansioso,
excitável, dominador e amigável descrevem tendências que dominam
traços de personalidade. O teórico da personalidade Gordon Allport
pesquisou em um extensor dicionário e encontrou mais de 4500 traços
de personalidade, que de entre esses, um pequeno número de traços
fundamentais determina outros, mais superficiais (Weiten, 2002).
3- Formação da personalidade
Davidoff
(2001) acreditava que a personalidade é moldada pelas primeiras
experiências da vida e é construída pelas situações que o
indivíduo enfrenta. Tudo o que ocorre na vida de um indivíduo
influencia as características da sua personalidade. A personalidade
é formada durante as etapas do desenvolvimento pelas quais passa a
criança desde a gestação. Essa formação inclui tanto os
elementos genéticos herdados (temperamento) como também os
adquiridos do meio ambiente na qual a criação será inserida.
3.1- Etapas de formação da personalidade
- Infância
Segundo
Mwamwenda (2005) a infância inclui o período desde o nascimento até
aos dois ou três anos. Durante este período, o principal alimento
da criança é o leite materno, complementado por alimentos mais
sólidos à medida que vão crescendo. A maioria dos bebés africanos
dorme na cama dos seus pais, o que lhes dá calor e presença humana
constante e consolida a ligação emocional entre mãe e bebé, o que
demostra ser fundamental para o desenvolvimento das crianças.
- Adolescência
Para
Mwamwenda (2005) a adolescência é um período fascinante,
interessante e desafiante do crescimento e desenvolvimento dos
humanos. Ocorrem grandes mudanças físicas, sociais, emocionais,
fisiológicas e psicológicas. É durante essa fase que o adolescente
procura e consolida a sua identidade. O jovem tenta alcançar
estatuto especial assim como reconhecimento.
- Idade adulta
De
acordo com Mwamwenda (2005) a vida adulta começa quando se completa
a adolescência e termina com o início da velhice. Adulto é uma
pessoa que aceita e se implica em responsabilidades que lhe são
atribuídas e que está em uma posição de tomar decisões sociais
viáveis, ainda, que é capaz de integrar e manter uma personalidade
estável.
- Velhice
Segundo
Mwamwenda (2005) a velhice é marcada pelo final da vida adulta,
onde o indivíduo recebe a reforma. A pessoa não manifesta
positivamente em relação a esta fase. Durante a velhice a pele fica
rugosa e com pregas. Os seus sentidos tornam-se menos precisos e o
seu funcionamento fisiológico pode ser menos eficiente.
Para
Davidoff (2001) as características desenvolvidas ao longo dessas
fases se manifestam quando há uma interacção do indivíduo com o
meio (Ex: As relações dos indivíduos uns com os outros dependerá
da estrutura psíquica desses indivíduos e das experiências por
eles vivenciados).
4- Factores que influenciam para a formação da personalidade
De
acordo com Woodworth&Marquis (1975) os factores que concorrem
para a formação da personalidade são:
- Factores biológicos
A
formação da personalidade é influenciada pelo passado ancestral da
humanidade. Segundo ele, o Homem nasceu com muitas predisposições
ligadas aos seus ancestrais que incluem a dotação genética e
temperamento.
- Factores sociais
Em
cada cultura há características que são adquiridas pelas crianças
desde muito cedo. As socializações, isto é, as experiências dos
indivíduos uns com os outros contribuem para a formação da
personalidade. A personalidade é produto da aprendizagem social. O
modo de vida do indivíduo permite com que ele manifeste cansaço,
frustração, ansiedade, calma ou bom humor.
- Factores psicológicos
A
forma de pensar de um indivíduo desencadeia acções que se
reflectem na sociedade.
5- Propriedades da personalidade
As
propriedades da personalidade para Hansenne (2003) são:
- O temperamento
Temperamento
é um traço inato da personalidade que aparece desde a infância. Os
temperamentos têm uma base biológica, representando a dimensão
afectiva e emocional da personalidade; eles surgem precocemente na
nossa vida, continuando a desempenhar um papel na vida adulta. Os
temperamentos podem ser modificados pela experiência, apesar da base
hereditária que apresentam.
- O carácter
Carácter
é a maneira habitual de reagir, própria de cada pessoa. O termo é
geralmente utilizado para demonstrar um certo juízo moral. Allport
manifesta uma certa preferência pelo termo traço
relativamente à noção de carácter. O carácter não é
influenciado pela hereditariedade, mas pela acção do meio ambiente.
Sendo assim, o carácter traduz igualmente a ideia de disposições
duradouras, que aparecem mais tarde na vida do indivíduo, e que
modulam os temperamentos de base.
- A aptidão
Aptidão
é uma estrutura potencial que permite o desenvolvimento de uma
capacidade, isto de forma natural ou através do exercício.
6- Mensuração da personalidade
De
acordo com Pinto (2001) a mensuração da personalidade está
relacionado com a perspectiva psicodinâmica, que destaca os testes
projectivos; a perspectiva humanista, que valoriza a compreensão
empática e terapia não-directiva; a perspectiva dos traços, que
recorre a inventários e questionários; a perspectiva situasionista
e interaccionista, que analisa amostras de comportamento em situações
reais ou simuladas.
Assim,
para Pinto (2001) os tipos de métodos aplicados na mensuração são:
- Testes projectivos
A
perspectiva psicodinâmica acredita que esta é a melhor técnica
para revelar motivações incoscientes. Os testes projectivos mais
conhecidos são o teste de Rorschach e o TAT (Thematic Apperception
Test).
O
teste de Porschach é constituído por 10 manchas simétricas ou
borrões de tinta, a preto e a cor e foi incialmente publicado por
H.Rorschach.
O
TAT é contituído por 31 figuras (uma delas em branco) e foi
publicado por Murray em 1938. Algumas das figuras são aplicads
especificamente a crianças, homens ou mulheres. Em geral o
examinador usa apenas um conjunto de 10 figuras. As figuras retratam
cenas ambíguas (ex: um menino a olhar para um violino em cima da
mesa) e a tarefa do sujeito é descrever uma história que inclua os
antecedentes e as consequências da situação actualmente
representada pela figura. Através da história narrada é possível
obter informações sobre a necessidade de afiliações,
relacionamento social, rejeição, agressividade, domínio e
motivação para a realização.
- Questionários e inventários
A
perspectiva dos traços de personalidade usa inventários e
questionários formados por várias escalas de forma a avaliar a
presença e grau de intensidade dos diferentes traços. Estes
instrumentos são constituídos por um conjunto de perguntas de
auto-avaliação que se agrupam sob diferentes categorias ou factores
(extroversão, dominância, imaginação) a que as pessoas geralmente
respondem: verdadeiro, falso ou não sei.
Os
questionários mais conhecidos resultantes da teoria de traços são
o Questionário de Eysenck, o Inventário “16 PF” de Cattell e o
Inventário NEO-PI-R dos “cinco factores” de Costa e McCrae.
- Testes de complemento de sentenças
Os
testes de complemento de sentenças oferecem fragmentos que devem ser
terminados, o examinador analisa as respostas informalmente,
procurando sinais de emotividade ou atitudes perante figuras
significativas da vida e do passado, fontes de conflito, estilo de
linguagem e problemas pessoais.
- Testes de desenho e figuras
Os
testes de desenho tendem a ser usados com crianças, embora o
conhecimento sobre o desenho de crianças normais esteja apenas
começando a ser reunido. Os desenhos são considerados simbólicos.
Desenhar figuras pequenas, por exemplo, é significado de sentir-se
pequeno e inadequado; distorções e omissões são considerados
expressões de conflitos; linhas fortes reflectem energia e linhas
fracas a falta de vitalidade.
Para
Davidoff (2001) os instrumentos usados na mensuração da
personalidade são:
- Entrevistas
As
entrevistas podem ser consideradas observações participantes porque
o entrevistador actuando como terapeuta, é tanto observador quanto
participante. Na abordagem freudiana ortodoxa pedem aos pacientes
para que façam associações livres e digam o que lhes vem à
cabeça, colocando o entrevistador atento a sinais de conflito na
infância, a medos e a impulsos proibidos dos quais o paciente nãotem
consciência.
- Técnica Q
É
um teste objectivo de personalidade, isto é, minimamente
influenciado pelas intuições do observador. Neste teste, um
examinador solicita aos participantes do teste que usem palavras,
frases ou sentenças para descrever alguém (geralmente eles
próprios) de acordo com regras específicas.
- Estudos de casos
Depois
de conduzir entrevistas, os observadores psicodinâmicos às vezes
elaboram estudos de caso. Os estudos de caso compreendem a coleta de
dados pormenorizados, quase sempre de natureza muito pessoal, a
respeito do comportamento de um indivíduo ou grupo. Retratam a
mudança e a continuidade com o tempo. Os estudos de caso servem
claramente a função didática também. Fornecem ilustrações
excelentes de como um princípio específico aplica-se a uma situação
da vida real.
7- Teorias da personalidade
Segundo
Morris&Maisto (2004) as teorias da personalidade são:
- Teorias psicodinâmicas
As
teorias psicodinâmicas foram defendidas por Freud, Adler, Jung e
Erikson. As teorias psicodinâmicas da personalidade consideram que
o comportamento é o resultado das dinâmicas psicológicas internas
de cada indivíduo. Frequentemente essas dinâmicas são processos
inconscientes.
- Teorias humanistas
A
teoria humanista da personalidade enfatiza que somos positivamente
motivados e progredimos em direcção a níveis mais altos de
funcionamento. Essas teorias valorizam as experiências mentais
subjectivas da pessoa e a necessidade que estas sentem de expandirem
as suas fronteiras pessoais e de realizarem ao máximo as suas
potencialidades. Seus principais representantes eram: Carl Rogers e
Abraham Maslow.
- Teorias dos traços
Uma
teoria dos traços tem por objectivo determinar o perfil dos traços
característicos de uma pessoa, o que diferencia uma pessoa da outra
e o que torna única.
A
personalidade seria constituída por um conjunto de traços que
caracterizaria o comportamento geral das pessoas. Esta teoria foi
defendida por Gordon Allport, Hans Eysenk e Raymond Cattell.
- Teorias behavioristas
Para
o behaviorismo, a personalidade resume-se ao comportamento. É este
comportamento no dia-a-dia que define a nossa personalidade.
Defendiam que são as situações passadas que definem a
personalidade e não os traços específicos da personalidade da
pessoa, pois as situações passadas foram um objecto de reforço ou
de punição.
8- Conclusão
Este
trabalho permitiu uma longa investigação sobre a personalidade e
uma reflexão sobre esta.
Concluímos
que a Personalidade
é um termo abstrato que enquadra o conjunto de características
comportamentais de um indivíduo e que demonstra uma tendência
duradoura a comportar-se de uma forma e numa diversidade de
situações.
A
personalidade é formada ao longo da vida de um indivíduo,
corresponde a três fases: a infância, a adolescência, a idade
adulta e a velhice.
A
formação da personalidade é influenciada pelos factores
biológicos, sociais e psicológicos, onde as carcterísticas físicas
e os aspectos culturais que nos seguem desde o nascimento
influenciam na estruturação da personalidade.
As
propriedades da personalidade são três: o temperamento, o carácter
e a aptidão.
A
personalidade é mensurável. Para medi-la os psicólogos utilizam os
testes projectivos, os questionários e inventários, os testes de
completamento de sentenças, os testes de desenho e figuras, as
entrevistas, a técnica Q e o estudo de caso.
As
teorias da personalidade são: teorias psicodinâmicas, teorias
humanistas, teorias dos traços e a teoria behaviorista.
9- Referências bibliográficas
- Davidoff, L. L. (2001). Introdução à Psicologia. 3ᵃ Edição. São Paulo: Pearson
- Hansenne, M. (2003). Psicologia da personalidade. 1ᵃ Edição. Lisboa: Climapsi
- Morris, C. G. & Maisto, A. A. (2004). Introdução à Psicologia. 6ᵃ Edição. São Paulo: Prentice Hal
- Mwamwenda, S. T. (2005). Psicologia Educacional: Uma Perspectiva. Texto Editores
- Pinto, A. C. (2001). Psicologia Geral. 1ᵃ Edição. Lisboa: Universidade aberta
- Weiten, W. (2002). Introdução à Psicologia. 4ᵃ Edição. EUA: Thomson Pioneira
- Woodworth, R. S & Marquis, D. G. (1975). Psicologia. 10ᵃ Edição. São Paulo: Editora Nacional

Meu caro, é o segundo trabalho seu que me ajuda bastante. Espero continuar achando os seus materiais. Muito obrigado.
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