1 INTRODUÇÃO  As relações mantidas pelas pessoas englobam uma série de factores psíquicos, que nos remetem a fazer análises e a sinteti...

quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

FORMAÇÃO DA PERSONALIDADE NO SER HUMANO


 

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1- Introdução

Este é um trabalho elaborado no âmbito da leccionação da disciplina de Psicologia Geral que constitui uma das unidades curriculares do curso da licenciatura em Psicologia, oferecido pela Faculdade de Educação da Universidade Eduardo Mondlane.
Com base no tema Personalidade, o grupo definiu os seguintes objectivos:

1.1- Objectivo geral:

  • Compreender a personalidade como qualidade individual.
      1. Objectivos específicos:

  • Definir o Conceito Personalidade.
  • Explicar o processo de formação da personalidade .
  • Identificar os factores que influenciam para a formação da personalidade .
  • Distinguir as propriedades da personalidade.
  • Identificar as técnicas usadas na mensuração da personalidade.
  • Distinguir as teorias da personalidade. 

Para a elaboração do trabalho, o grupo baseou-se na revisão da literatura.
Estruturalmente, além desta introdução, apresenta-se a definição do conceito, formação da personalidade, factores que influenciam para a formação da personalidade, propriedades da personalidade, teorias da personalidade, a conclusão e por fim as referências bibliográficas.

2- Definição do Conceito

 

Personalidade, etimologicamente, vem da palavra latina persona que na antiguidade Greco-romana significava a máscara usada no palco pelos actores de teatro. Com o tempo, persona incorporou outros significados como o papel representado pelo actor, depois desempenhou uma função social e finalmente um cidadão, portador de determinados direitos e deveres no direito romano. O estudo científico da personalidade iniciou-se tardiamente a partir da década de 30 e até essa altura era abordada por teólogos, filósofos, escritores de romances e de teatro, fisiologistas e psicanalistas (Pinto, 2001).
Segundo Pinto (2001) a personalidade refere-se ao padrão de comportamentos, modos de pensar e de sentir que permite distinguir uma pessoa de outra e que apresenta uma certa estabilidade ao longo do tempo.
Para Davidoff (2001) a personalidade é um construto sumário, que inclui pensamentos, motivos, emoções, interesses, atitudes, capacidades e outros. Os psicólogos contemporâneos referiam-se à personalidade como os padrões consistentes e duradouros de percepção, pensamento, sentimento e comportamento que dão às pessoas identidade distinta.
De acordo com Weiten (2002) o conceito de personalidade é utilizado para explicar a estabilidade no comportamento de uma pessoa ao longo dos anos e em diferentes situações e para explicar as diferenças de comportamento entre as pessoas ao reagir à mesma situação. Numa mesma ideia, podemos concluir que, personalidade refere-se à constelação singular de traços de comportamento consistentes de um indivíduo.
Traços de personalidade são uma tendência duradoura a comportar-se de uma determinada forma em uma diversidade de situações. Adjectivos como honesto, digno de confiança, temperamental, impulsivo, ansioso, excitável, dominador e amigável descrevem tendências que dominam traços de personalidade. O teórico da personalidade Gordon Allport pesquisou em um extensor dicionário e encontrou mais de 4500 traços de personalidade, que de entre esses, um pequeno número de traços fundamentais determina outros, mais superficiais (Weiten, 2002).

3- Formação da personalidade

Davidoff (2001) acreditava que a personalidade é moldada pelas primeiras experiências da vida e é construída pelas situações que o indivíduo enfrenta. Tudo o que ocorre na vida de um indivíduo influencia as características da sua personalidade. A personalidade é formada durante as etapas do desenvolvimento pelas quais passa a criança desde a gestação. Essa formação inclui tanto os elementos genéticos herdados (temperamento) como também os adquiridos do meio ambiente na qual a criação será inserida.

3.1- Etapas de formação da personalidade

  • Infância
Segundo Mwamwenda (2005) a infância inclui o período desde o nascimento até aos dois ou três anos. Durante este período, o principal alimento da criança é o leite materno, complementado por alimentos mais sólidos à medida que vão crescendo. A maioria dos bebés africanos dorme na cama dos seus pais, o que lhes dá calor e presença humana constante e consolida a ligação emocional entre mãe e bebé, o que demostra ser fundamental para o desenvolvimento das crianças.
  • Adolescência
Para Mwamwenda (2005) a adolescência é um período fascinante, interessante e desafiante do crescimento e desenvolvimento dos humanos. Ocorrem grandes mudanças físicas, sociais, emocionais, fisiológicas e psicológicas. É durante essa fase que o adolescente procura e consolida a sua identidade. O jovem tenta alcançar estatuto especial assim como reconhecimento.
  • Idade adulta
De acordo com Mwamwenda (2005) a vida adulta começa quando se completa a adolescência e termina com o início da velhice. Adulto é uma pessoa que aceita e se implica em responsabilidades que lhe são atribuídas e que está em uma posição de tomar decisões sociais viáveis, ainda, que é capaz de integrar e manter uma personalidade estável.

  • Velhice
Segundo Mwamwenda (2005) a velhice é marcada pelo final da vida adulta, onde o indivíduo recebe a reforma. A pessoa não manifesta positivamente em relação a esta fase. Durante a velhice a pele fica rugosa e com pregas. Os seus sentidos tornam-se menos precisos e o seu funcionamento fisiológico pode ser menos eficiente.
Para Davidoff (2001) as características desenvolvidas ao longo dessas fases se manifestam quando há uma interacção do indivíduo com o meio (Ex: As relações dos indivíduos uns com os outros dependerá da estrutura psíquica desses indivíduos e das experiências por eles vivenciados).

4- Factores que influenciam para a formação da personalidade

De acordo com Woodworth&Marquis (1975) os factores que concorrem para a formação da personalidade são:
  • Factores biológicos
A formação da personalidade é influenciada pelo passado ancestral da humanidade. Segundo ele, o Homem nasceu com muitas predisposições ligadas aos seus ancestrais que incluem a dotação genética e temperamento.
  • Factores sociais
Em cada cultura há características que são adquiridas pelas crianças desde muito cedo. As socializações, isto é, as experiências dos indivíduos uns com os outros contribuem para a formação da personalidade. A personalidade é produto da aprendizagem social. O modo de vida do indivíduo permite com que ele manifeste cansaço, frustração, ansiedade, calma ou bom humor.
  • Factores psicológicos
A forma de pensar de um indivíduo desencadeia acções que se reflectem na sociedade.

5- Propriedades da personalidade

As propriedades da personalidade para Hansenne (2003) são:
  • O temperamento
Temperamento é um traço inato da personalidade que aparece desde a infância. Os temperamentos têm uma base biológica, representando a dimensão afectiva e emocional da personalidade; eles surgem precocemente na nossa vida, continuando a desempenhar um papel na vida adulta. Os temperamentos podem ser modificados pela experiência, apesar da base hereditária que apresentam.
  • O carácter
Carácter é a maneira habitual de reagir, própria de cada pessoa. O termo é geralmente utilizado para demonstrar um certo juízo moral. Allport manifesta uma certa preferência pelo termo traço relativamente à noção de carácter. O carácter não é influenciado pela hereditariedade, mas pela acção do meio ambiente. Sendo assim, o carácter traduz igualmente a ideia de disposições duradouras, que aparecem mais tarde na vida do indivíduo, e que modulam os temperamentos de base.
  • A aptidão
Aptidão é uma estrutura potencial que permite o desenvolvimento de uma capacidade, isto de forma natural ou através do exercício.


6- Mensuração da personalidade

De acordo com Pinto (2001) a mensuração da personalidade está relacionado com a perspectiva psicodinâmica, que destaca os testes projectivos; a perspectiva humanista, que valoriza a compreensão empática e terapia não-directiva; a perspectiva dos traços, que recorre a inventários e questionários; a perspectiva situasionista e interaccionista, que analisa amostras de comportamento em situações reais ou simuladas.
Assim, para Pinto (2001) os tipos de métodos aplicados na mensuração são:
  • Testes projectivos
A perspectiva psicodinâmica acredita que esta é a melhor técnica para revelar motivações incoscientes. Os testes projectivos mais conhecidos são o teste de Rorschach e o TAT (Thematic Apperception Test).
O teste de Porschach é constituído por 10 manchas simétricas ou borrões de tinta, a preto e a cor e foi incialmente publicado por H.Rorschach.
O TAT é contituído por 31 figuras (uma delas em branco) e foi publicado por Murray em 1938. Algumas das figuras são aplicads especificamente a crianças, homens ou mulheres. Em geral o examinador usa apenas um conjunto de 10 figuras. As figuras retratam cenas ambíguas (ex: um menino a olhar para um violino em cima da mesa) e a tarefa do sujeito é descrever uma história que inclua os antecedentes e as consequências da situação actualmente representada pela figura. Através da história narrada é possível obter informações sobre a necessidade de afiliações, relacionamento social, rejeição, agressividade, domínio e motivação para a realização.
  • Questionários e inventários
A perspectiva dos traços de personalidade usa inventários e questionários formados por várias escalas de forma a avaliar a presença e grau de intensidade dos diferentes traços. Estes instrumentos são constituídos por um conjunto de perguntas de auto-avaliação que se agrupam sob diferentes categorias ou factores (extroversão, dominância, imaginação) a que as pessoas geralmente respondem: verdadeiro, falso ou não sei.
Os questionários mais conhecidos resultantes da teoria de traços são o Questionário de Eysenck, o Inventário “16 PF” de Cattell e o Inventário NEO-PI-R dos “cinco factores” de Costa e McCrae.

  • Testes de complemento de sentenças
Os testes de complemento de sentenças oferecem fragmentos que devem ser terminados, o examinador analisa as respostas informalmente, procurando sinais de emotividade ou atitudes perante figuras significativas da vida e do passado, fontes de conflito, estilo de linguagem e problemas pessoais.
  • Testes de desenho e figuras
Os testes de desenho tendem a ser usados com crianças, embora o conhecimento sobre o desenho de crianças normais esteja apenas começando a ser reunido. Os desenhos são considerados simbólicos. Desenhar figuras pequenas, por exemplo, é significado de sentir-se pequeno e inadequado; distorções e omissões são considerados expressões de conflitos; linhas fortes reflectem energia e linhas fracas a falta de vitalidade.
Para Davidoff (2001) os instrumentos usados na mensuração da personalidade são:
  • Entrevistas
As entrevistas podem ser consideradas observações participantes porque o entrevistador actuando como terapeuta, é tanto observador quanto participante. Na abordagem freudiana ortodoxa pedem aos pacientes para que façam associações livres e digam o que lhes vem à cabeça, colocando o entrevistador atento a sinais de conflito na infância, a medos e a impulsos proibidos dos quais o paciente nãotem consciência.
  • Técnica Q
É um teste objectivo de personalidade, isto é, minimamente influenciado pelas intuições do observador. Neste teste, um examinador solicita aos participantes do teste que usem palavras, frases ou sentenças para descrever alguém (geralmente eles próprios) de acordo com regras específicas.

  • Estudos de casos
Depois de conduzir entrevistas, os observadores psicodinâmicos às vezes elaboram estudos de caso. Os estudos de caso compreendem a coleta de dados pormenorizados, quase sempre de natureza muito pessoal, a respeito do comportamento de um indivíduo ou grupo. Retratam a mudança e a continuidade com o tempo. Os estudos de caso servem claramente a função didática também. Fornecem ilustrações excelentes de como um princípio específico aplica-se a uma situação da vida real.

7- Teorias da personalidade

Segundo Morris&Maisto (2004) as teorias da personalidade são:
  • Teorias psicodinâmicas
As teorias psicodinâmicas foram defendidas por Freud, Adler, Jung e Erikson. As teorias psicodinâmicas da personalidade consideram que o comportamento é o resultado das dinâmicas psicológicas internas de cada indivíduo. Frequentemente essas dinâmicas são processos inconscientes.
  • Teorias humanistas
A teoria humanista da personalidade enfatiza que somos positivamente motivados e progredimos em direcção a níveis mais altos de funcionamento. Essas teorias valorizam as experiências mentais subjectivas da pessoa e a necessidade que estas sentem de expandirem as suas fronteiras pessoais e de realizarem ao máximo as suas potencialidades. Seus principais representantes eram: Carl Rogers e Abraham Maslow.


  • Teorias dos traços
Uma teoria dos traços tem por objectivo determinar o perfil dos traços característicos de uma pessoa, o que diferencia uma pessoa da outra e o que torna única.
A personalidade seria constituída por um conjunto de traços que caracterizaria o comportamento geral das pessoas. Esta teoria foi defendida por Gordon Allport, Hans Eysenk e Raymond Cattell.
  • Teorias behavioristas
Para o behaviorismo, a personalidade resume-se ao comportamento. É este comportamento no dia-a-dia que define a nossa personalidade. Defendiam que são as situações passadas que definem a personalidade e não os traços específicos da personalidade da pessoa, pois as situações passadas foram um objecto de reforço ou de punição.

8- Conclusão

Este trabalho permitiu uma longa investigação sobre a personalidade e uma reflexão sobre esta.
Concluímos que a Personalidade é um termo abstrato que enquadra o conjunto de características comportamentais de um indivíduo e que demonstra uma tendência duradoura a comportar-se de uma forma e numa diversidade de situações.
A personalidade é formada ao longo da vida de um indivíduo, corresponde a três fases: a infância, a adolescência, a idade adulta e a velhice.
A formação da personalidade é influenciada pelos factores biológicos, sociais e psicológicos, onde as carcterísticas físicas e os aspectos culturais que nos seguem desde o nascimento influenciam na estruturação da personalidade.
As propriedades da personalidade são três: o temperamento, o carácter e a aptidão.
A personalidade é mensurável. Para medi-la os psicólogos utilizam os testes projectivos, os questionários e inventários, os testes de completamento de sentenças, os testes de desenho e figuras, as entrevistas, a técnica Q e o estudo de caso.
As teorias da personalidade são: teorias psicodinâmicas, teorias humanistas, teorias dos traços e a teoria behaviorista.

9- Referências bibliográficas

  • Davidoff, L. L. (2001). Introdução à Psicologia. 3 Edição. São Paulo: Pearson
  • Hansenne, M. (2003). Psicologia da personalidade. 1ᵃ Edição. Lisboa: Climapsi
  • Morris, C. G. & Maisto, A. A. (2004). Introdução à Psicologia. 6 Edição. São Paulo: Prentice Hal
  • Mwamwenda, S. T. (2005). Psicologia Educacional: Uma Perspectiva. Texto Editores
  • Pinto, A. C. (2001). Psicologia Geral. 1ᵃ Edição. Lisboa: Universidade aberta
  • Weiten, W. (2002). Introdução à Psicologia. 4ᵃ Edição. EUA: Thomson Pioneira
  • Woodworth, R. S & Marquis, D. G. (1975). Psicologia. 10ᵃ Edição. São Paulo: Editora Nacional

1 comentário:

  1. Meu caro, é o segundo trabalho seu que me ajuda bastante. Espero continuar achando os seus materiais. Muito obrigado.

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