1.Introdução
O
presente trabalho é elaborado no âmbito do leccionado na disciplina
de Psicologia geral que constitui uma das unidades curriculares do
curso de licenciatura em Psicologia oferecido pela Faculdade de
Educação da Universidade Eduardo Mondlane (UEM).
O
trabalho debruça-se sobre o tema "Emoções", a partir
deste tema foram definidos os seguintes objectivos:
- Compreender as emoções como comportamento de um individuo perante os estímulos.
- Definir o conceito "emoções";
- Explicar a natureza das emoções;
- Distinguir as teorias das emoções;
- Identificar os componentes das emoções;
- Classificar as emoções;
- Explicar as importâncias das emoções;
- Identificar as consequências das emoções.
- Distinguir as emoções dos sentimentos
Para
a realização do trabalho, o grupo baseou-se na revisão de
literaturas.
Em
termos de estrutura, após esta introdução, apresenta-se, definição
do conceito, natureza das emoções, teorias das emoções,
componentes das emoções, classificação das emoções, importância
das emoções, consequências das emoções, diferenças entre
emoções e sentimentos, conclusão e referências bibliográficas.
Pinto (2001) defende que a emoção é uma experiência subjectiva que envolve a pessoa toda, a mente e o corpo. É uma reacҫão complexa desencadeada por um estímulo ou pensamento e envolve reacҫões orgânicas e sensações pessoais. É uma resposta que envolve diferentes componentes, nomeadamente uma reacҫão observável, uma excitação fisiológica, uma interpretação cognitiva e uma experiência subjectiva.
Para
Davidooff (2001), as emoções são estados internos caracterizados
por cognições, sensações, reações fisiológicas e
comportamentos expressivos específicos.
Segundo
Strongman (2004), Platão definiu emoções como facetas da
existência muito mais interessantes, considerando-as produto de uma
combinação da vida cognitiva superior e da sensual inferior. Também
considerou que a emoção estava ligada ao prazer e a dor, e referiu
diversas emoções específicas como a raiva e o medo.
De
acordo com Simionato (2006), definiu emoções como respostas
químicas e elétricas que viajam por nosso organismo.
Segundo Davidoff (2001) as emoções são feitas de componentes subjetivos, comportamentais e fisiológicos:
Componentes
subjetivos são
dimensões como escalas classificatórias aplicáveis a todos
sentimentos. Uma delas vai de agradável a desagradável, a alegria é
agradável ao passo que a raiva, o medo, e o desagrado não o são. A
segunda escala vai de atenção a experiência em uma ponta até a
sua rejeição na outra ponta, as pessoas prestam atenção naquilo
que as surpreende ou as amedronta, e elas tendem a rejeitar aquilo
que as desagrada ou entristece. A terceira dimensão vai do intenso
em uma ponta até o neutro na outra ponta, estas três dimensões
foram descobertos em uma serie clássica de estudos por Harold
Schlosberg em
1954.
Componentes comportamentais durante as repostas emocionais, o comportamento incluí expressões faciais, gestos e ações.
Expressões
faciais
as expressões faciais foram estudadas mais que qualquer outro
componente comportamental.
Gestos
e ações
em crianças pequenas, as emoções costumam ser acompanhadas de
comportamento previsível. (Davidoof, 2001)
Componentes
fisiológicos a
50 anos atrás, o fisiologista Walter Cannon
(1932)
sugeriu que o componente físico de uma emoção intensa que supre os
animais de energia, a qual ajuda a lidar com as emergências que
originaram a emoção. Por tanto as emoções foram chamadas de
resposta
de luta ou fuga. As
mesmas alterações fisiológicas que proporcionaram mais energia
também intensificam as experiências emocionais. Reações físicas
tais como, tremer, corar empalidecer suar respirar rapidamente e
sentir tontura emprestam as emoções uma qualidade de urgência e
poder.
Teoria
de JamesLange
Wiliam James foi um dos primeiros teóricos a recomendar firmemente
que os psicólogos explorassem as funções da consciência. A teoria
da emoção que James (1884) desenvolveu a mais de 100 anos permanece
influente até hoje. Ele e Carl Lange (1885) propuseram,
independentemente, mais ou menos na mesma época, que a
experiência consciente da emoção resulta da perceção que se tem
da estimulação autónoma. Sua
teoria inverteu o senso comum. Em outras palavras, enquanto o
individuo supõe que sua pulsação aumentou porque està com medo,
James e Lange argumentam que o individuo sente medo porque a sua
pulsação aumentou.
A
teoria de JamesLange realça os determinantes fisiológicos da
emoção. De acordo com esta visão padrões
diferentes de ativação autónoma conduzem a experiência de emoções
distintas. Por
tanto, as pessoas distinguem emoções como medo, alegria e raiva
baseando se na configuração exata das reações fisicas que
vivenciam.
Teoria
de CannonBard
Walter Cannon (1927) considerava a teoria da JamesLange
não convincente. Cannon, que desenvolveu os conceitos de homeostase
e de reação de luta ou fuga, salientou que pode ocorrer excitação
fisiológica sem que haja experiência de emoção. Também
argumentou que as modificações viscerais são demasiado lentas para
que precedam a experiência consciente da emoção. Finalmente,
argumentou que pessoas que exprime emoções muito distintas como
medo, alegria e raiva, exibem padrões quase idênticos de
estimulação autónoma. Cannon adoptou então, uma explicação
diferente de emoção, que Philip Bard (1934) depois aperfeicoou.
A
teoria resultante de Cannon Bard argumenta que a
emoção ocorre quando o tálamo envia sinais simultaneamente ao
cortex (criando a experiência consciente de emoção) e ao sistema
nervoso autónomo (criando a estimulação visceral). Ambos
estavam um pouco enganados ao definirem o tálamo como um centro
neural de emoções. Portanto, são centros de emoções o sistema
limbico, o hipotálamo e outras estruturas neurais, no entanto, há
muitos teóricos que concordam com a noção de Cannon Bard de que as
emoções tem origem em áreas sub corticais.
Teoria
dos dois factores de Schachter Stanley
Schachter acredita que as pessoas examinam as pistas situacionais
para fazer a diferenciação entre uma e outra emoção. Segundo
Schachter (1964; Schachter e Singer, 1962,1979) a experiência da
emoção depende de dois factores: estimulação autónoma e
interpretação cognitiva da referida estmulação. Schachter propõe
que quando aparece a sensação de estimulação visceral procura se
a explicacao no ambiente.
Schachter
concorda com a visão JamesLange de que se infere a emoção a
partir da estimulação. Mas também esta de acordo com a posição
de Cannon Brand de que diferentes emoções produzem padrões de
estimulação indiferenciaveis. Concilia estas duas visões a partir
do argumento de que, em vez de pistas internas as pessoas procuram
pistas externas para distinguir e denominar suas emoções. Sugere
basicamente que as pessoas pensem da seguinte forma: se estou
sentindo alguma coisa, e você é detestavel, acho que estou bravo
As
teorias evolucionistas da emoção nos
últimos anos, alguns teóricos interessados em emocão retornaram as
ideias abracadas por Charles Darwin (1872), mais um seculo atrás,
acreditava que as emoções se desenvolviam por causa do seu valôr
adaptativo. Darwin via as emoções humanas como sendo um produto da
evolucão.
Estas
teorias evolucionistas consideram emoções como sendo reações
inatas, em sua grande maioria, a determinados estímulos, como tal, as
emoções deveriam ser imediatamente identificáveis sob a maioria das
condições sem muito raciocínio, afinal os animais primitivos, que
são capazes de raciocínios complexos, parecem ter poucas
dificuldades em reconhecer suas emoções. Teóricos evolucionistas
acreditam que as emoções se desenvolveram antes do pensamento,
afirmam ainda que, o pensamento desempenha um papel relativamente
pequeno na emoção, embora admitam que o aprendizado e o
conhecimento possam ter alguma influência sobre as emoções
humanas.
As
teorias evolucionistas supõe que as emoções se originam nas
estruturas sub corticais do cérebro (tais como o hipotálamo e a
maior parte do sistema límbico) que evoluíram antes das áreas
cérebrais superiores (no cortex) associadas com raciocínio complexo.
Emoções primarias
Segundo Morris & Maisto (2004) as emoções primárias são aquelas compartilhadas pelas pessoas do mundo inteiro, independentemente da cultura. Isso incluem no mínimo, o medo a raiva e o prazer, mas pode também incluir a tristeza, a repulsa e outras a maioria dos pesquisadores usa quatro critérios para identificar as emoções primárias (Plutchik 1994). A emoção tem de: ser evidente em todas as culturas, contribuir para sobrevivência, estar associada a uma expressão facial distinta e ser evidente em primatas não˗humanas
Emoções
secundárias
de acordo com Morris & Maisto (2004) as emoções secundarias são aquelas encontradas em uma ou mais culturas, mas não em todas. Pode˗se classifica˗la amalgamações subtis das emoções. Existem muito mais emoções secundarias que primárias mas também não há consenso sobre as quais ou quantas são.
de acordo com Morris & Maisto (2004) as emoções secundarias são aquelas encontradas em uma ou mais culturas, mas não em todas. Pode˗se classifica˗la amalgamações subtis das emoções. Existem muito mais emoções secundarias que primárias mas também não há consenso sobre as quais ou quantas são.
.Emoções
mistas
regularmente, as pessoas sabem que as emoções são mistas. Elas amam e odeiam a mesma pessoa. Elas receiam e anseiam pela mesma, ambivalencia pode ser a regra (Folkman e Lazarus, 1985).
regularmente, as pessoas sabem que as emoções são mistas. Elas amam e odeiam a mesma pessoa. Elas receiam e anseiam pela mesma, ambivalencia pode ser a regra (Folkman e Lazarus, 1985).
As
emoções não so são mistas mas como também estão ligados a
motivos (Buechler e Izard, 1983, Tomkins 1979). A ligação
motivoemoção não é uma via de mão única da mesma forma que
os motivos invocam emoções, as emoções geram motivos. Se as
emoções mesclamse com os motivos e outras emoções, entram as
expressões no rosto das pessoas também deveriam ser mescladas.
Geralmente os indivíduos precisam de outros sinais além de rosto
para descobrir o que os outros estão sentindo.
Emoções voluveis
as emoções humanas estão em constante mudança, afectos ou humares brandos parecem predominar (Izard e Malatesta, 1984) o psicólogo Richard Solomon (1977, 1980) acredita que o cérebro humano mantém o equilíbrio por meio de neutralização da intensidade das emoções fortes (positivas e negativas). A teoria do processo oponente de Solomon apresenta uma serie de fases:
- Primeiramente, as experiências despertam emoções relativamente fortes
- As emoções evocadas pelas experiências despertam automaticamente pós reações, as quais contrastam com as emoções .
- Gradativamente, após reação opõe se ou suprime a força do afecto que a despertou. Os dois processos oponentes da nome ao modelo
- Depois que uma experiência termina, a emoção que havia sido directamente despertada desaparece rapidamente, a passo que a pós reação persiste.
Damásio
(2000) acredita que as emoções são importantes em dois processos
biológicos fundamentais, que são:
- Reacção especifica para determinada situação;
- Homeostase.
O
primeiro processo citado, percebe-se quando através das emoções
manifestadas, surge a indicação de como o organismo deve agir face
a uma situação de perigo por exemplo, e segundo esta tese proposta
por Damásio na ausência desta leitura ou indicação por parte das
emoções, o organismo dificilmente saberia como agir perante este
tipo de situações.
Segundo
o autor acima citado a homeostase atua na regulaҫão
do estado interno do organismo, usando uma reacҫão
específica, de acordo com esta tese as emoções atuam fornecendo o
equilíbrio ao organismo, em suma, para Damásio as emoções são
importantes na sobrevivência e adaptação do indivíduo ao meio.
Para
Newen (2009) as emoções cumprem funções de grande importância,
de onde destacam-se quatro (4) principais:
- Preparam o indivíduo para acções;
- Motivam os indivíduos para estas mesmas acções;
- Possibilitam a avaliação de estímulos externos de forma extremamente rápida;
- Ajuda no controle das relações pessoais.
O
que se pode perceber nesta representação de Newen (2009) são a
causa de preparação e motivação das pessoas, de tal maneira que
estas catalizam o indivíduo na execução de acções, o que remete
a crer que na sua ausência, os indivíduos não estariam motivados
no quotidiano, e isto influenciaria no insucesso a nível geral ou
global, no entender do autor.
O
terceiro ponto citado, explica que as emoções possibilitam a
avaliação de estímulos ambientais, de forma extremamente rápida,
o que indica que o modo como alguém se sente, influencia
directamente na sua leitura do meio, ou seja, na sua interação com
o meio em que se encontra.
O
último, explica um ponto ainda mais observável, de tal forma que as
emoções manifestadas pelo indivíduo participam na sua relação
com os outros, o que dá origem aos diversos grupos sociais que se
distinguem mundo afora, sendo que o ser humano é um ser de natureza
social, e o modo como um indivíduo manifesta as suas emoções o
incluem ou não, num determinado meio social.
As
emoções afetam o comportamento, e o modo como uma pessoa se sente,
afeta o que ela faz. Portanto, as emoções têm impacto directo no
modo com que alguém comporta-se. (Staats 1996)
Segundo
Lang & Groos (1978; 2008;) cada emoção inclui uma tendência a
determinada acção. Podem-se usar as seguintes comparaҫões
como exemplo: fugir de uma situação esta relacionado ao medo, o
recolhimento ou isolamento revela tristeza. Sendo assim estas
tendências são adaptativas.
Para
os autores acima citados as emoções negativas restringem o leque de
disposições e ideias favorecendo especificamente acções que se
enquadram no contexto da emoção, fugir, atacar ou recolher-se. Num
dado momento segundo eles, estas restrições podem ser benéficas ao
indivíduo, mas podem tornar-se características comportamentais
frequentes no indivíduo e é ai que mora o perigo.
As
emoções negativas, possuem um efeito tóxico no indivíduo, sendo
que a sua manifestação envolve processos hormonais,
cardiovasculares, ou outras formas de manifestações fisiológicas,
subjectivas ou comportamentais que estão ligadas a emoção em
causa. Quando estas emoções se tornam intensas e frequentes na vida
de alguém, podem implicar sérios perigos a saúde, como:
- Depressão perante tristeza intensa e frequente;
- Quadros de dor crónica;
- Doenças cardíacas, como alta ou baixa tensão;
- Stress, quando estados emocionais negativos como raiva, ou tristeza manifestam-se frequentemente, e outras patologias ligadas ao estado emocional debilitado.
Acima
foram citadas algumas das consequências das emoções negativas, mas
existem também aquelas que podem ser consideradas positivas,
apresentouse alguns dos seus efeitos face a exposição intensa
e frequente aos mesmos, e estes efeitos são:
- O amor amplia a capacidade de curtir e interagir;
- A alegria inclui tendência a participar de actividades físicas, sociais ou intelectuais;
- O contentamento inclui uma tendência a integrar vivências, ou seja boas recordações.
Através
destas pesquisas e observações, que vêm sendo bastante efectuadas
recentemente, observou-se que as emoções negativas têm efeitos,
consequências ou tendências específicas, ou seja, determinada
emoção negativa possui seu efeito especifico, todavia, as emoções
positivas apresentam um comportamento distinto, sendo que apresentam
efeitos amplos e difusos, de acordo com as características da pessoa
que as manifesta.
8.
Emoções e sentimentos
As
vezes, há uma confusão conceitual entre sentimentos e emoções,
pois são dois processos que se relacionam, no entanto são
diferentes entre si, e são usados de certa forma como se fosse o
mesmo conceito.
De
acordo com Damásio (2000), o que distingue essencialmente sentimento
de emoção é: enquanto a primeiro é orientado para o interior, o
segundo é eminentemente exterior; ou seja, o indivíduo experimenta
a emoção, da qual surge um “efeito” interno, o sentimento. Os
sentimentos são gerados por emoções e sentir emoções significa
ter sentimentos. Na relação emoção / sentimento, Damásio diz
ainda que apesar de alguns sentimentos estarem relacionados com as
emoções, existem muitas que não estão, ou seja, todas as emoções
originam sentimentos, se estivermos atentos, mas nem todos os
sentimentos provêm de emoções.
Normalmente
as emoções dificilmente conseguem ser escondidas, pois costumam
ser visíveis no corpo de uma pessoa quando ela esta sentindo, por
exemplo raiva, medo, tristeza ou alegria. Além disso são sensações
que tem uma duração mais curta. Mas quando se trata de sentimentos,
eles acontecem na mente, então podem passar despercebidos por outras
pessoas e durar muito mais tempo como por exemplo é o caso de amor.
Conclusão
As
emoçoes são reacҫões
complexas desencadeadas por um estímulo ou pensamento e envolve
reacҫões
orgânicas e sensações pessoais. São também caracterizados por
cognições, sensações. No que conserne a natureza das emoções,
elas são naturalmente de diferentes componentes onde destacam
se componentes subjetivos, fisiológicos e comportamentais. Elas
entrelaçam˗se e interagem entre si formando assim os componentes
entrelaçados e interativos.
Quanto
as teorias de emoções, tentou˗se explicar a origem das emoções,
concordando que as emoções surgem no SN (sistema nervoso) mas
concretamente nas áreas subcorticais. As emoções classificam se
em: primarias que são combinações que produzem várias emoções
que as pessoas vivenciam e as variações de intensidade, de
salientar que existem muito mais emoções secundarias que primárias,
as emoções mistas inclue as sensações opostas.
As
emoções são importantes porque ajudam os organismos a enfrentar a
questão de sobrevivência postas pelo ambiente, alertam-nos para o
perigo, etc. Apesar de terem consequências negativas, as emoções
possuem também aquelas que podem ser consideradas positivas, fezse
questão de se apresentar alguns dos seus efeitos face a exposição
intensa e frequente aos mesmos. Apesar de estabelecer uma forte
relação com o sentimento, as emoções são consideradas diferentes
dos sentimentos.
Referências bibliográficas
- DAVIDOOF, L. L. (2001). Introdução à Psicologia. 3ª Edição. São Paulo: Pearson.
- DAMASIO A.R. . (2010) o cérebro criou o homem. Editora:cia das letras. São Paulo.
- MORRIS, C. G. &Maisto, A. A. (2004). Introdução à Psicologia. 6ª Edição. São Paulo: Prentice Hall.
- PIEDADE Pinto. Inteligência Emocional
- SIMIONATO, M (2006) competências emocionais: o diferencial competitivo no trabalho, 6ª Edição. Rio de janeiro: qualitymark.
- STRONGMAN, K. T. (2004) the psycology of emotion 4ª edição.
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