1 INTRODUÇÃO  As relações mantidas pelas pessoas englobam uma série de factores psíquicos, que nos remetem a fazer análises e a sinteti...

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

EMOÇŌES

TEMA:  EMOÇŌES


1.Introdução

O presente trabalho é elaborado no âmbito do leccionado na disciplina de Psicologia geral que constitui uma das unidades curriculares do curso de licenciatura em Psicologia oferecido pela Faculdade de Educação da Universidade Eduardo Mondlane (UEM).
O trabalho debruça-se sobre o tema "Emoções", a partir deste tema foram definidos os seguintes objectivos:
1.1.Objectivo geral:
  • Compreender as emoções como comportamento de um individuo perante os estímulos.
1.1.1.Objectivos específicos:
  • Definir o conceito "emoções";
  • Explicar a natureza das emoções;
  • Distinguir as teorias das emoções;
  • Identificar os componentes das emoções;
  • Classificar as emoções;
  • Explicar as importâncias das emoções;
  • Identificar as consequências das emoções.
  • Distinguir as emoções dos sentimentos


Para a realização do trabalho, o grupo baseou-se na revisão de literaturas.
Em termos de estrutura, após esta introdução, apresenta-se, definição do conceito, natureza das emoções, teorias das emoções, componentes das emoções, classificação das emoções, importância das emoções, consequências das emoções, diferenças entre emoções e sentimentos, conclusão e referências bibliográficas.

 

2. Definição do conceito


Pinto (2001) defende que a emoção é uma experiência subjectiva que envolve a pessoa toda, a mente e o corpo. É uma reacҫão complexa desencadeada por um estímulo ou pensamento e envolve reacҫões orgânicas e sensações pessoais. É uma resposta que envolve diferentes componentes, nomeadamente uma reacҫão observável, uma excitação fisiológica, uma interpretação cognitiva e uma experiência subjectiva.
Para Davidooff (2001), as emoções são estados internos caracterizados por cognições, sensações, reações fisiológicas e comportamentos expressivos específicos.
Segundo Strongman (2004), Platão definiu emoções como facetas da existência muito mais interessantes, considerando-as produto de uma combinação da vida cognitiva superior e da sensual inferior. Também considerou que a emoção estava ligada ao prazer e a dor, e referiu diversas emoções específicas como a raiva e o medo.
De acordo com Simionato (2006), definiu emoções como respostas químicas e elétricas que viajam por nosso organismo. 
 
3. Natureza das emoções

Segundo Davidoff (2001) as emoções são feitas de componentes subjetivos, comportamentais e fisiológicos:
Componentes subjetivos ­ são dimensões como escalas classificatórias aplicáveis a todos sentimentos. Uma delas vai de agradável a desagradável, a alegria é agradável ao passo que a raiva, o medo, e o desagrado não o são. A segunda escala vai de atenção a experiência em uma ponta até a sua rejeição na outra ponta, as pessoas prestam atenção naquilo que as surpreende ou as amedronta, e elas tendem a rejeitar aquilo que as desagrada ou entristece. A terceira dimensão vai do intenso em uma ponta até o neutro na outra ponta, estas três dimensões foram descobertos em uma serie clássica de estudos por Harold Schlosberg em 1954.

Componentes comportamentais ­ durante as repostas emocionais, o comportamento incluí expressões faciais, gestos e ações.

Expressões faciais­ as expressões faciais foram estudadas mais que qualquer outro componente comportamental.
Gestos e ações ­ em crianças pequenas, as emoções costumam ser acompanhadas de comportamento previsível. (Davidoof, 2001)
Componentes fisiológicos ­ a 50 anos atrás, o fisiologista Walter Cannon (1932) sugeriu que o componente físico de uma emoção intensa que supre os animais de energia, a qual ajuda a lidar com as emergências que originaram a emoção. Por tanto as emoções foram chamadas de resposta de luta ou fuga. As mesmas alterações fisiológicas que proporcionaram mais energia também intensificam as experiências emocionais. Reações físicas tais como, tremer, corar empalidecer suar respirar rapidamente e sentir tontura emprestam as emoções uma qualidade de urgência e poder.
4.Teoria das emoções
Teoria de James­Lange ­ Wiliam James foi um dos primeiros teóricos a recomendar firmemente que os psicólogos explorassem as funções da consciência. A teoria da emoção que James (1884) desenvolveu a mais de 100 anos permanece influente até hoje. Ele e Carl Lange (1885) propuseram, independentemente, mais ou menos na mesma época, que a experiência consciente da emoção resulta da perceção que se tem da estimulação autónoma. Sua teoria inverteu o senso comum. Em outras palavras, enquanto o individuo supõe que sua pulsação aumentou porque està com medo, James e Lange argumentam que o individuo sente medo porque a sua pulsação aumentou.
A teoria de James­Lange realça os determinantes fisiológicos da emoção. De acordo com esta visão padrões diferentes de ativação autónoma conduzem a experiência de emoções distintas. Por tanto, as pessoas distinguem emoções como medo, alegria e raiva baseando se na configuração exata das reações fisicas que vivenciam.
Teoria de Cannon­Bard ­ Walter Cannon (1927) considerava a teoria da James­Lange não convincente. Cannon, que desenvolveu os conceitos de homeostase e de reação de luta ou fuga, salientou que pode ocorrer excitação fisiológica sem que haja experiência de emoção. Também argumentou que as modificações viscerais são demasiado lentas para que precedam a experiência consciente da emoção. Finalmente, argumentou que pessoas que exprime emoções muito distintas como medo, alegria e raiva, exibem padrões quase idênticos de estimulação autónoma. Cannon adoptou então, uma explicação diferente de emoção, que Philip Bard (1934) depois aperfeicoou.
A teoria resultante de Cannon Bard argumenta que a emoção ocorre quando o tálamo envia sinais simultaneamente ao cortex (criando a experiência consciente de emoção) e ao sistema nervoso autónomo (criando a estimulação visceral). Ambos estavam um pouco enganados ao definirem o tálamo como um centro neural de emoções. Portanto, são centros de emoções o sistema limbico, o hipotálamo e outras estruturas neurais, no entanto, há muitos teóricos que concordam com a noção de Cannon Bard de que as emoções tem origem em áreas sub corticais.
Teoria dos dois factores de Schachter ­ Stanley Schachter acredita que as pessoas examinam as pistas situacionais para fazer a diferenciação entre uma e outra emoção. Segundo Schachter (1964; Schachter e Singer, 1962,1979) a experiência da emoção depende de dois factores: estimulação autónoma e interpretação cognitiva da referida estmulação. Schachter propõe que quando aparece a sensação de estimulação visceral procura se a explicacao no ambiente.
Schachter concorda com a visão James­Lange de que se infere a emoção a partir da estimulação. Mas também esta de acordo com a posição de Cannon Brand de que diferentes emoções produzem padrões de estimulação indiferenciaveis. Concilia estas duas visões a partir do argumento de que, em vez de pistas internas as pessoas procuram pistas externas para distinguir e denominar suas emoções. Sugere basicamente que as pessoas pensem da seguinte forma: se estou sentindo alguma coisa, e você é detestavel, acho que estou bravo
As teorias evolucionistas da emoção ­ nos últimos anos, alguns teóricos interessados em emocão retornaram as ideias abracadas por Charles Darwin (1872), mais um seculo atrás, acreditava que as emoções se desenvolviam por causa do seu valôr adaptativo. Darwin via as emoções humanas como sendo um produto da evolucão.
Estas teorias evolucionistas consideram emoções como sendo reações inatas, em sua grande maioria, a determinados estímulos, como tal, as emoções deveriam ser imediatamente identificáveis sob a maioria das condições sem muito raciocínio, afinal os animais primitivos, que são capazes de raciocínios complexos, parecem ter poucas dificuldades em reconhecer suas emoções. Teóricos evolucionistas acreditam que as emoções se desenvolveram antes do pensamento, afirmam ainda que, o pensamento desempenha um papel relativamente pequeno na emoção, embora admitam que o aprendizado e o conhecimento possam ter alguma influência sobre as emoções humanas.
As teorias evolucionistas supõe que as emoções se originam nas estruturas sub corticais do cérebro (tais como o hipotálamo e a maior parte do sistema límbico) que evoluíram antes das áreas cérebrais superiores (no cortex) associadas com raciocínio complexo.

5. Classificação de emoções


Emoções primarias ­  

Segundo Morris & Maisto (2004) as emoções primárias são aquelas compartilhadas pelas pessoas do mundo inteiro, independentemente da cultura. Isso incluem no mínimo, o medo a raiva e o prazer, mas pode também incluir a tristeza, a repulsa e outras a maioria dos pesquisadores usa quatro critérios para identificar as emoções primárias (Plutchik 1994). A emoção tem de: ser evidente em todas as culturas, contribuir para sobrevivência, estar associada a uma expressão facial distinta e ser evidente em primatas não˗humanas 
 
Emoções secundárias 

­ de acordo com Morris & Maisto (2004) as emoções secundarias são aquelas encontradas em uma ou mais culturas, mas não em todas. Pode˗se classifica˗la amalgamações subtis das emoções. Existem muito mais emoções secundarias que primárias mas também não há consenso sobre as quais ou quantas são. 
 
.Emoções mistas 

 regularmente, as pessoas sabem que as emoções são mistas. Elas amam e odeiam a mesma pessoa. Elas receiam e anseiam pela mesma, ambivalencia pode ser a regra (Folkman e Lazarus, 1985).
As emoções não so são mistas mas como também estão ligados a motivos (Buechler e Izard, 1983, Tomkins 1979). A ligação motivo­emoção não é uma via de mão única da mesma forma que os motivos invocam emoções, as emoções geram motivos. Se as emoções mesclam­se com os motivos e outras emoções, entram as expressões no rosto das pessoas também deveriam ser mescladas. Geralmente os indivíduos precisam de outros sinais além de rosto para descobrir o que os outros estão sentindo.

Emoções voluveis 


­ as emoções humanas estão em constante mudança, afectos ou humares brandos parecem predominar (Izard e Malatesta, 1984) o psicólogo Richard Solomon (1977, 1980) acredita que o cérebro humano mantém o equilíbrio por meio de neutralização da intensidade das emoções fortes (positivas e negativas). A teoria do processo oponente de Solomon apresenta uma serie de fases:
  • Primeiramente, as experiências despertam emoções relativamente fortes
  • As emoções evocadas pelas experiências despertam automaticamente pós­ reações, as quais contrastam com as emoções .
  • Gradativamente, após reação opõe ­ se ou suprime a força do afecto que a despertou. Os dois processos oponentes da nome ao modelo
  • Depois que uma experiência termina, a emoção que havia sido directamente despertada desaparece rapidamente, a passo que a pós­ reação persiste.
  • Na recorrência das experiências similares , a emoção evocada pela experiência enfraquece, ao passo que a pós reação intensifica se.

6. Importância das Emoções

Damásio (2000) acredita que as emoções são importantes em dois processos biológicos fundamentais, que são:
  • Reacção especifica para determinada situação;
  • Homeostase.
O primeiro processo citado, percebe-se quando através das emoções manifestadas, surge a indicação de como o organismo deve agir face a uma situação de perigo por exemplo, e segundo esta tese proposta por Damásio na ausência desta leitura ou indicação por parte das emoções, o organismo dificilmente saberia como agir perante este tipo de situações.
Segundo o autor acima citado a homeostase atua na regulaҫão do estado interno do organismo, usando uma reacҫão específica, de acordo com esta tese as emoções atuam fornecendo o equilíbrio ao organismo, em suma, para Damásio as emoções são importantes na sobrevivência e adaptação do indivíduo ao meio.
Para Newen (2009) as emoções cumprem funções de grande importância, de onde destacam-se quatro (4) principais:
  • Preparam o indivíduo para acções;
  • Motivam os indivíduos para estas mesmas acções;
  • Possibilitam a avaliação de estímulos externos de forma extremamente rápida;
  • Ajuda no controle das relações pessoais.
O que se pode perceber nesta representação de Newen (2009) são a causa de preparação e motivação das pessoas, de tal maneira que estas catalizam o indivíduo na execução de acções, o que remete a crer que na sua ausência, os indivíduos não estariam motivados no quotidiano, e isto influenciaria no insucesso a nível geral ou global, no entender do autor.
O terceiro ponto citado, explica que as emoções possibilitam a avaliação de estímulos ambientais, de forma extremamente rápida, o que indica que o modo como alguém se sente, influencia directamente na sua leitura do meio, ou seja, na sua interação com o meio em que se encontra.
O último, explica um ponto ainda mais observável, de tal forma que as emoções manifestadas pelo indivíduo participam na sua relação com os outros, o que dá origem aos diversos grupos sociais que se distinguem mundo afora, sendo que o ser humano é um ser de natureza social, e o modo como um indivíduo manifesta as suas emoções o incluem ou não, num determinado meio social.

7. Consequências das Emoções

As emoções afetam o comportamento, e o modo como uma pessoa se sente, afeta o que ela faz. Portanto, as emoções têm impacto directo no modo com que alguém comporta-se. (Staats 1996)
Segundo Lang & Groos (1978; 2008;) cada emoção inclui uma tendência a determinada acção. Podem-se usar as seguintes comparaҫões como exemplo: fugir de uma situação esta relacionado ao medo, o recolhimento ou isolamento revela tristeza. Sendo assim estas tendências são adaptativas.
Para os autores acima citados as emoções negativas restringem o leque de disposições e ideias favorecendo especificamente acções que se enquadram no contexto da emoção, fugir, atacar ou recolher-se. Num dado momento segundo eles, estas restrições podem ser benéficas ao indivíduo, mas podem tornar-se características comportamentais frequentes no indivíduo e é ai que mora o perigo.
As emoções negativas, possuem um efeito tóxico no indivíduo, sendo que a sua manifestação envolve processos hormonais, cardiovasculares, ou outras formas de manifestações fisiológicas, subjectivas ou comportamentais que estão ligadas a emoção em causa. Quando estas emoções se tornam intensas e frequentes na vida de alguém, podem implicar sérios perigos a saúde, como:
  • Depressão perante tristeza intensa e frequente;
  • Quadros de dor crónica;
  • Doenças cardíacas, como alta ou baixa tensão;
  • Stress, quando estados emocionais negativos como raiva, ou tristeza manifestam-se frequentemente, e outras patologias ligadas ao estado emocional debilitado.
Acima foram citadas algumas das consequências das emoções negativas, mas existem também aquelas que podem ser consideradas positivas, apresentou­se alguns dos seus efeitos face a exposição intensa e frequente aos mesmos, e estes efeitos são:
  • O amor amplia a capacidade de curtir e interagir;
  • A alegria inclui tendência a participar de actividades físicas, sociais ou intelectuais;
  • O contentamento inclui uma tendência a integrar vivências, ou seja boas recordações.
Através destas pesquisas e observações, que vêm sendo bastante efectuadas recentemente, observou-se que as emoções negativas têm efeitos, consequências ou tendências específicas, ou seja, determinada emoção negativa possui seu efeito especifico, todavia, as emoções positivas apresentam um comportamento distinto, sendo que apresentam efeitos amplos e difusos, de acordo com as características da pessoa que as manifesta.
8. Emoções e sentimentos
As vezes, há uma confusão conceitual entre sentimentos e emoções, pois são dois processos que se relacionam, no entanto são diferentes entre si, e são usados de certa forma como se fosse o mesmo conceito.
De acordo com Damásio (2000), o que distingue essencialmente sentimento de emoção é: enquanto a primeiro é orientado para o interior, o segundo é eminentemente exterior; ou seja, o indivíduo experimenta a emoção, da qual surge um “efeito” interno, o sentimento. Os sentimentos são gerados por emoções e sentir emoções significa ter sentimentos. Na relação emoção / sentimento, Damásio diz ainda que apesar de alguns sentimentos estarem relacionados com as emoções, existem muitas que não estão, ou seja, todas as emoções originam sentimentos, se estivermos atentos, mas nem todos os sentimentos provêm de emoções.
Normalmente as emoções dificilmente conseguem ser escondidas, pois costumam ser visíveis no corpo de uma pessoa quando ela esta sentindo, por exemplo raiva, medo, tristeza ou alegria. Além disso são sensações que tem uma duração mais curta. Mas quando se trata de sentimentos, eles acontecem na mente, então podem passar despercebidos por outras pessoas e durar muito mais tempo como por exemplo é o caso de amor.


Conclusão

 
As emoçoes são reacҫões complexas desencadeadas por um estímulo ou pensamento e envolve reacҫões orgânicas e sensações pessoais. São também caracterizados por cognições, sensações. No que conserne a natureza das emoções, elas são naturalmente de diferentes componentes onde destacam ­ se componentes subjetivos, fisiológicos e comportamentais. Elas entrelaçam˗se e interagem entre si formando assim os componentes entrelaçados e interativos.
Quanto as teorias de emoções, tentou˗se explicar a origem das emoções, concordando que as emoções surgem no SN (sistema nervoso) mas concretamente nas áreas subcorticais. As emoções classificam se em: primarias que são combinações que produzem várias emoções que as pessoas vivenciam e as variações de intensidade, de salientar que existem muito mais emoções secundarias que primárias, as emoções mistas inclue as sensações opostas.
As emoções são importantes porque ajudam os organismos a enfrentar a questão de sobrevivência postas pelo ambiente, alertam-nos para o perigo, etc. Apesar de terem consequências negativas, as emoções possuem também aquelas que podem ser consideradas positivas, fez­se questão de se apresentar alguns dos seus efeitos face a exposição intensa e frequente aos mesmos. Apesar de estabelecer uma forte relação com o sentimento, as emoções são consideradas diferentes dos sentimentos.


Referências bibliográficas


  • DAVIDOOF, L. L. (2001). Introdução à Psicologia. 3ª Edição. São Paulo: Pearson.
  • DAMASIO A.R. . (2010) o cérebro criou o homem. Editora:cia das letras. São Paulo.
  • MORRIS, C. G. &Maisto, A. A. (2004). Introdução à Psicologia. 6ª Edição. São Paulo: Prentice Hall.
  • PIEDADE Pinto. Inteligência Emocional
  • SIMIONATO, M (2006) competências emocionais: o diferencial competitivo no trabalho, 6ª Edição. Rio de janeiro: qualitymark.
  • STRONGMAN, K. T. (2004) the psycology of emotion 4ª edição.




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