TEMA: PERSONALIDADE
1. Introdução
O presente trabalho é elaborado no âmbito do leccionação da disciplina de Psicologia Geral, que constitui uma das unidades curriculares do curso de licenciatura em psicologia, oferecido pela Faculdade de Educação, na Universidade Eduardo Mondlane ﴾UEM﴿.O trabalho debruça-se sobre o tema carácter, a partir deste tema foram definidos os seguintes objectivos:
1.1 Objectivo geral:
Compreender o carácter como qualidade do indivíduo.1.2 Objectivos específicos:
Definir os conceitos carácter e personalidadeDistinguir os tipos de carácter
Explicar a natureza do carácter
Explicar o processo de formação do carácter
Explicar a relação entre carácter e personalidade
Para a elaboração do trabalho, o grupo se baseou na revisão da literatura.
Em termos de estrutura, após esta introdução apresenta-se, definição de conceitos, tipos de carácter, natureza do carácter, processo de formação do carácter, relação entre carácter e personalidade, conclusão e referências bibliográficas.
2. Definição do conceito carácter
A palavra carácter provém do grego Krarassein que significa gravar. Significa que algo se grava no objecto e pelo qual este se torna conhecido. Daí o termo e expressão é a marca de um homem (Cardoso, 1993).
Segundo Bulher (1990), carácter é um sistema integrado de traços ou tendências de conduta, que dá a uma pessoa a capacidade de reagir com uma certa constância a problemas morais.
Em contra partida Alípio e Vale, definem carácter como: conjunto de traços psíquicos próprios do individuo e que se manifesta nas maneiras de actuar típicas determinadas pela atitude.
Sendo assim, Volpi (2004), define carácter como sendo os traços essenciais que determinam o conjunto de actos de um indivíduo.
2.1 Definição do conceito personalidade
De acordo com hansenne (2003) personalidade é a organização dinâmica no seio do individuo de sistemas psicofísicos que determinam o seu comportamento característicos e os seus pensamentos.
Segundo Davidoff (2001) personalidade é um “ constructo sumário “ que inclui pensamentos motivos emoções, interesses, atitudes, capacidades e outros.
3. Traços caracteriológicos de Heymans
Segundo Kendler (1974), traço é uma característica permanente da personalidade, em princípio pelo menos, susceptível de ser medida.
Por sua vez Davidoff (2001), define traço como características singulares. Incluem aspectos de temperamento, motivação, ajustamento, capacidade e valores.
Segundo Heymans citado em Saraiva (s/d), existem no homem três propriedades cuja intensidade ou frequência resultam dos carácteres individuais:
a) Emotividade
Quanto a emotividade, os indivíduos são emotivos e não-emotivos, conforme se deixam, mais ou menos, impressionar pelos acontecimentos.
Emotivos- os acontecimentos produzem nesses indivíduos abalos mais fortes.
Não-emotivos- os acontecimentos produzem nesses indivíduos abalos menos fortes.
b) Actividade
Quanto a actividade, são activos quando agem, não sob pressão dos acontecimentos (actividade circunstancial), mas por efeito de uma disposição interior (actividade caracteriológica). É activo um indivíduo a quem o obstáculo aumenta o desejo de agir. São não-activos aqueles que só actuam sob pressão das circunstâncias, e a quem a mínima contrariedade serve de pretexto para abandonar a acção começada.
Activa- não agem sob pressão dos acontecimentos (actividade circunstancial), mas por efeito de uma disposição interior (actividade caracteriológica).
Não activa- são aqueles que só actuam sob pressão das circunstâncias.
c) Ressonância ou estabilidade
Quanto a estabilidade das impressões, os indivíduos são primários ou secundários.
Primária, aqueles em que as impressões limitam o seu efeito ao presente (efeito actual). Pertence, naturalmente, ao tipo de extrovertido, com acentuada função do real.
Secundárias, o efeito das impressões continuam a exercer para além do presente (efeito póstumo). O indivíduo tem o complexo de culpa e de antecipação, pertence geralmente ao tipo introvertido, com deficiente função do real.
3.1-Tipos de Carácter
De acordo com Saraiva (s/d), existem oito tipos carácteres e cada tipo forma-se combinado a três disposições fundamentais:
Emotivos, não activos, primários: Nervosos
Sujeito de emoções frequentes e efectividade superficial pouco estável. Facilmente impressionável. A sua superficialidade efectiva, dificulta-lhe a continuidade do pensamento e a persistência na acção. (Saraiva, s/d)
Emotivos, activos, primários: Coléricos
Extrovertido como são os primários, reflecte sobre as coisas e os acontecimentos, mas não sobre ele próprio. Reage abertamente às situações, mas, Solicitado por situações novas, não guarda ressentimentos, não conserva mágoas. Vendo rapidamente o que esta a vista, as suas reacções são, em regra, prontas e oportunas. Activo trabalhador, sociável, cordial, a sua energia mental não se introverte, liberta-se e explode. Por isso a sua personalidade pode não ter a força íntima do sentimental. Quase Poderíamos dizer: a personalidade do colérico é explosiva, mas não forte, a do sentimental é forte mas não explosiva. Saraiva (s/d)
Emotivos, activos, secundários: Apaixonados
Caracteriza-se pela força e projecção da personalidade. Podemos considera-lo um equilibrado superior, enquanto reúnem em si as melhores qualidades do emotivo, do activo e do secundário. Contudo, pode ter uma dessas qualidades em grau dominante, subordinando a si as outras duas. Teremos então o apaixonado emotivo (artista ou apóstolo), apaixonado activo (político ou soldado), apaixonado intelectual (cientista ou filosofo). Seja, porem, qual for a esfera a que pertença, o apaixonado manifesta se sempre por uma vida tensa, vontade ambiciosa, e personalidade transbordante. (Saraiva, s/d)
Não emotivos, activos, secundários: Fleumáticos
A Característica essencial do fleumático é o senso da medida. Desta qualidade decorrem outras. É frio, perseverante, circunspecto, sombrio. Simples e pontual. Honra e digno de fé. De humor sempre igual como convêm a um não-emotivo, e comedido nas suas, e comedido nas suas manifestações exteriores. (Saraiva, s/d)
Não emotivos, activos, primários: Sanguíneos
Assíduo ao trabalho, vive continuamente ocupado. Dotado de senso prático, visa nas coisas o resultado imediato. Exacto na observação, rápido na concepção, decidido e nítido na atitude.
Distingue-se do colérico em que tem mais presença de espírito, e mais ponderado, menos violento e impulsivo. (Saraiva, s/d)
Não emotivos, não activos, primários: Amorfos
Preguiçoso e pouco pontual. Indiferente ao meio social, tanto como insensível a emoções alheias. Nos amorfos encontram-se frequentemente boas aptidões musicais e cénicas. Salientam-se quase sempre pelo espírito de observação e imitação. (Saraiva, s/d)
Não emotivos, não activos, secundários: Apáticos
Caracteriza-se pela persistência das impressões (sedentariedade) mas falta-lhe intensidade de vida interior (no que se distingue do sentimental) e não revela aptidões especiais (no que se distingue do amorfo). Pouco comunicativo incapaz de simpatia humana. (Saraiva, s/d)Emotivo,não-activo,secundário: Sentimental
o efeito das impressões é nele mais envolvente e perdurável. Sensibilidade profunda e delicada, suporta mal o contacto das realidades. Tem tendência para a introversão. Realiza as condições de uma personalidade rica e forte, mas de uma força interior que dificilmente se projecta, mostra-se tímido no agir. A sua capacidade é menos reflexa e mais reflexiva. Os sentimentos morais desenvolvem-se nele facilmente. (Saraiva, s/d)
Diz Saraiva (s/d), que de um modo geral o carácter apresenta-se como um conjunto de condições inatas e adquiridas, onde as tendências que participam do natural têm um papel importante. Em alguns indivíduos essas tendências agrupam-se sob o domínio de uma delas. Esta tendência dominante, secundada pelas outras, imprime aos actos do indivíduo uma norma constante. Diz-se então que o indivíduo tem um carácter firme.
Em outros indivíduos essas tendências não se agrupam. Conforme as circunstâncias, ora domina uma, ora outra. Destes indivíduos diz-se que têm um carácter fraco.
Finalmente noutros indivíduos as tendências agrupam-se para depois, em presença de circunstâncias novas, se desagregarem, voltando as tendências libertas a formar novos grupos com características diferentes das anteriores. O carácter de tais indivíduos diz-se irregular.
É preciso distinguirmos no estudo dos carácteres o ponto de vista psíquico e o ponto de vista moral. A psicologia procura explicar o carácter ao passo que a moral julga-o. Um carácter firme, sob ponto de vista psíquico, pode ser um mau carácter sob ponto de vista moral. O avarento revela um carácter firme e, contudo, moralmente, o seu carácter é condenável.
Sob o ponto de vista moral, e é esse o que mais interessa, um indivíduo possui um bom carácter quando as suas tendências e os factores adquiridos se agrupam e formam um núcleo de sentimentos elevados, capazes de darem aos seus actos uma direcção constante em todas as circunstâncias da vida, favoráveis ou não, aos seus interesses pessoais. (Saraiva, s/d)
Diz Saraiva (s/d), que de um modo geral o carácter apresenta-se como um conjunto de condições inatas e adquiridas, onde as tendências que participam do natural têm um papel importante. Em alguns indivíduos essas tendências agrupam-se sob o domínio de uma delas. Esta tendência dominante, secundada pelas outras, imprime aos actos do indivíduo uma norma constante. Diz-se então que o indivíduo tem um carácter firme.
Em outros indivíduos essas tendências não se agrupam. Conforme as circunstâncias, ora domina uma, ora outra. Destes indivíduos diz-se que têm um carácter fraco.
Finalmente noutros indivíduos as tendências agrupam-se para depois, em presença de circunstâncias novas, se desagregarem, voltando as tendências libertas a formar novos grupos com características diferentes das anteriores. O carácter de tais indivíduos diz-se irregular.
É preciso distinguirmos no estudo dos carácteres o ponto de vista psíquico e o ponto de vista moral. A psicologia procura explicar o carácter ao passo que a moral julga-o. Um carácter firme, sob ponto de vista psíquico, pode ser um mau carácter sob ponto de vista moral. O avarento revela um carácter firme e, contudo, moralmente, o seu carácter é condenável.
Sob o ponto de vista moral, e é esse o que mais interessa, um indivíduo possui um bom carácter quando as suas tendências e os factores adquiridos se agrupam e formam um núcleo de sentimentos elevados, capazes de darem aos seus actos uma direcção constante em todas as circunstâncias da vida, favoráveis ou não, aos seus interesses pessoais. (Saraiva, s/d)
4-Natureza do carácter
Reich foi o primeiro analista a tratar pacientes pela interpretação da natureza e função do seu carácter ao invés de analisar seus sintomas. O carácter surge das atitudes habituais de uma pessoa e do seu padrão consistente de respostas para varias situações. Inclui atitudes e valores conscientes de estilo de comportamento (timidez, agressividade, e assim por diante). E atitudes físicas (postura, hábitos de manutenção e movimentação do corpo) (Reich, 1978).
O carácter pode ser alterado, adquirido ou apreendido. É a forma como a pessoa encara as consequências futuras, dos seus actos presentes. O carácter vai se estruturando gradativamente no curso da vida, sob influência de factores ambientais (família, educação, condição social, etc.), Os quais actuam de maneira variada, modificando tendências iniciais.
O carácter pode ser alterado, adquirido ou apreendido. É a forma como a pessoa encara as consequências futuras, dos seus actos presentes. O carácter vai se estruturando gradativamente no curso da vida, sob influência de factores ambientais (família, educação, condição social, etc.), Os quais actuam de maneira variada, modificando tendências iniciais.
5-Formação do carácter
O carácter não se manifesta de forma definitiva na infância, vai se formando enquanto atravessa as distintas fases do desenvolvimento psicossexual, até alcançar sua completa expressão ao final da adolescência.
O nosso carácter revela na maneira com que lidamos com as pressões e tentações. Mas também e revelado pelas acções do dia-a-dia, incluindo o que dizemos e fazemos quando achamos que não tem ninguém a observar-nos. O modo como tratamos as pessoas que acreditamos não terem poder para nos ajudar, diz muito sobre o nosso carácter, do que o modo como trata pessoas importantes. Pessoas que são honestas, gentis e justas somente quando há algo a ganhar, não devem ser confundidas com pessoas de real carácter, que demonstram essas qualidades habitualmente em qualquer circunstância.
O carácter se forma como uma defesa contra ansiedade criada pelos intensos sentimentos sexuais da criança e consequente medo da punição. A primeira defesa contra este medo e a repreensão, que trava os impulsos sexuais por algum tempo. A medida que as defesas do ego se tornam cronicamente activas e automáticas, elas evoluem para traços caracterológicos.
As defesas do carácter são particularmente efectivas e difíceis de se erradicarem pelo facto de serem bem racionalizadas pelo individuo e experimentadas como parte do seu autoconceito (Reich, 1978)
5. Relação entre personalidade e o carácter
De acordo com Hansenne (2003), há que distinguir a noção de carácter da noção de personalidade. Os carácteres são definidos como dimensões da personalidade determinadas pela aprendizagem social, e aprendizagem cognitiva, sendo portanto influenciadas por factores do meio ambiente, contrariamente aos temperamentos.
Segundo Volpi (2004), o carácter é a forma como a pessoa mostra-se ao mundo, com seu temperamento e a sua personalidade. É a expressão do temperamento, da personalidade por meio das atitudes de uma pessoa, ou seja, a personalidade a que se atribui valor. E a personalidade e o carácter sem atributo de valor. Portanto, a relação existente entre o carácter e a personalidade é que o carácter é a expressão da personalidade e temperamento do indivíduo por meio das suas atitudes.
Segundo Volpi (2004), o carácter é a forma como a pessoa mostra-se ao mundo, com seu temperamento e a sua personalidade. É a expressão do temperamento, da personalidade por meio das atitudes de uma pessoa, ou seja, a personalidade a que se atribui valor. E a personalidade e o carácter sem atributo de valor. Portanto, a relação existente entre o carácter e a personalidade é que o carácter é a expressão da personalidade e temperamento do indivíduo por meio das suas atitudes.
6. Conclusão:
Feito o trabalho, o grupo concluiu que o carácter é um conjunto de traços cognitivos próprios do indivíduo e que se manifestam de várias maneiras.
Os tipos de carácter são: nervoso, sentimental, colérico, apaixonado, sanguíneo, fleumático, amorfo e apático. O indivíduo possui três traços caracteriológicos: emotividade, actividade e ressonância.
E quanto à sua formação, vai se estruturando ao longo da vida e não é influenciado pela hereditariedade, mas sim, pela acção do meio ambiente. O carácter é a forma como nos damos com o meio, a forma como nos comportamos na sociedade, sem precisar ser para o benefício próprio. O carácter é propriedade da personalidade, ou seja, o carácter é a expressão da personalidade, a maneira habitual de reagir de cada indivíduo.
Os tipos de carácter são: nervoso, sentimental, colérico, apaixonado, sanguíneo, fleumático, amorfo e apático. O indivíduo possui três traços caracteriológicos: emotividade, actividade e ressonância.
E quanto à sua formação, vai se estruturando ao longo da vida e não é influenciado pela hereditariedade, mas sim, pela acção do meio ambiente. O carácter é a forma como nos damos com o meio, a forma como nos comportamos na sociedade, sem precisar ser para o benefício próprio. O carácter é propriedade da personalidade, ou seja, o carácter é a expressão da personalidade, a maneira habitual de reagir de cada indivíduo.
7. Referências bibliográficas:
- Alípio, Costa J & Vale, Manjiricão M. (s/d). Psicologia geral.
- Bulher, Charlotte. (1900). A psicologia na vida do nosso tempo. Fundação Calouste Gulbenkian. Lisboa.
- Escarrameia A. Lições de psicologia. 5ª Edição, Porto. Lisboa
- Cardoso, A. & Fachada. O (1993). Rumos da psicologia. Lisboa. 6ª Edição. Edições Rumo.
- Hanns, Michael (2003). Psicologia da personalidade. 1ª Edição. Lisboa.
- Kendler, Howard (s/d). Introdução à Psicologia. II volume 5ᵃ edição. Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa.
- Reich, W. (1978). Psicologia do Corpo . Editora: Paidos
- Saraiva, Augusto (1973). Psicologia. 11ª Edição. Porto: educação nacional.
