1 INTRODUÇÃO  As relações mantidas pelas pessoas englobam uma série de factores psíquicos, que nos remetem a fazer análises e a sinteti...

quinta-feira, 29 de novembro de 2018

PERSONALIDADE



TEMA: PERSONALIDADE

 

 

1. Introdução

O presente trabalho é elaborado no âmbito do leccionação da disciplina de Psicologia Geral, que constitui uma das unidades curriculares do curso de licenciatura em psicologia, oferecido pela Faculdade de Educação, na Universidade Eduardo Mondlane ﴾UEM﴿.
O trabalho debruça-se sobre o tema carácter, a partir deste tema foram definidos os seguintes objectivos:

1.1 Objectivo geral:

Compreender o carácter como qualidade do indivíduo.


1.2 Objectivos específicos:

Definir os conceitos carácter e personalidade
Distinguir os tipos de carácter
Explicar a natureza do carácter
Explicar o processo de formação do carácter
Explicar a relação entre carácter e personalidade

Para a elaboração do trabalho, o grupo se baseou na revisão da literatura.

Em termos de estrutura, após esta introdução apresenta-se, definição de conceitos, tipos de carácter, natureza do carácter, processo de formação do carácter, relação entre carácter e personalidade, conclusão e referências bibliográficas.

2. Definição do conceito carácter

 
A palavra carácter provém do grego Krarassein que significa gravar. Significa que algo se grava no objecto e pelo qual este se torna conhecido. Daí o termo e expressão é a marca de um homem (Cardoso, 1993).
Segundo Bulher (1990), carácter é um sistema integrado de traços ou tendências de conduta, que dá a uma pessoa a capacidade de reagir com uma certa constância a problemas morais.
Em contra partida Alípio e Vale, definem carácter como: conjunto de traços psíquicos próprios do individuo e que se manifesta nas maneiras de actuar típicas determinadas pela atitude.
Sendo assim, Volpi (2004), define carácter como sendo os traços essenciais que determinam o conjunto de actos de um indivíduo.

2.1 Definição do conceito personalidade

 
De acordo com hansenne (2003) personalidade é a organização dinâmica no seio do individuo de sistemas psicofísicos que determinam o seu comportamento característicos e os seus pensamentos.
Segundo Davidoff (2001) personalidade é um “ constructo sumário “ que inclui pensamentos motivos emoções, interesses, atitudes, capacidades e outros.


3. Traços caracteriológicos de Heymans

 
Segundo Kendler (1974), traço é uma característica permanente da personalidade, em princípio pelo menos, susceptível de ser medida.

Por sua vez Davidoff (2001), define traço como características singulares. Incluem aspectos de temperamento, motivação, ajustamento, capacidade e valores.

Segundo Heymans citado em Saraiva (s/d), existem no homem três propriedades cuja intensidade ou frequência resultam dos carácteres individuais:

a) Emotividade

 
Quanto a emotividade, os indivíduos são emotivos e não-emotivos, conforme se deixam, mais ou menos, impressionar pelos acontecimentos.
Emotivos- os acontecimentos produzem nesses indivíduos abalos mais fortes.
Não-emotivos- os acontecimentos produzem nesses indivíduos abalos menos fortes.

b) Actividade

 
Quanto a actividade, são activos quando agem, não sob pressão dos acontecimentos (actividade circunstancial), mas por efeito de uma disposição interior (actividade caracteriológica). É activo um indivíduo a quem o obstáculo aumenta o desejo de agir. São não-activos aqueles que só actuam sob pressão das circunstâncias, e a quem a mínima contrariedade serve de pretexto para abandonar a acção começada.
Activa- não agem sob pressão dos acontecimentos (actividade circunstancial), mas por efeito de uma disposição interior (actividade caracteriológica).
Não activa- são aqueles que só actuam sob pressão das circunstâncias.



c) Ressonância ou estabilidade

 
Quanto a estabilidade das impressões, os indivíduos são primários ou secundários.
Primária, aqueles em que as impressões limitam o seu efeito ao presente (efeito actual). Pertence, naturalmente, ao tipo de extrovertido, com acentuada função do real.
Secundárias, o efeito das impressões continuam a exercer para além do presente (efeito póstumo). O indivíduo tem o complexo de culpa e de antecipação, pertence geralmente ao tipo introvertido, com deficiente função do real.

 3.1-Tipos de Carácter

 
De acordo com Saraiva (s/d), existem oito tipos carácteres e cada tipo forma-se combinado a três disposições fundamentais: 


Emotivos, não activos, primários: Nervosos

 
Sujeito de emoções frequentes e efectividade superficial pouco estável. Facilmente impressionável. A sua superficialidade efectiva, dificulta-lhe a continuidade do pensamento e a persistência na acção. (Saraiva, s/d)

Emotivos, activos, primários: Coléricos

 
 Extrovertido como são os primários, reflecte sobre as coisas e os acontecimentos, mas não sobre ele próprio. Reage abertamente às situações, mas, Solicitado por situações novas, não guarda ressentimentos, não conserva mágoas. Vendo rapidamente o que esta a vista, as suas reacções são, em regra, prontas e oportunas. Activo trabalhador, sociável, cordial, a sua energia mental não se introverte, liberta-se e explode. Por isso a sua personalidade pode não ter a força íntima do sentimental. Quase Poderíamos dizer: a personalidade do colérico é explosiva, mas não forte, a do sentimental é forte mas não explosiva. Saraiva (s/d)


Emotivos, activos, secundários: Apaixonados

 
Caracteriza-se pela força e projecção da personalidade. Podemos considera-lo um equilibrado superior, enquanto reúnem em si as melhores qualidades do emotivo, do activo e do secundário. Contudo, pode ter uma dessas qualidades em grau dominante, subordinando a si as outras duas. Teremos então o apaixonado emotivo (artista ou apóstolo), apaixonado activo (político ou soldado), apaixonado intelectual (cientista ou filosofo). Seja, porem, qual for a esfera a que pertença, o apaixonado manifesta se sempre por uma vida tensa, vontade ambiciosa, e personalidade transbordante. (Saraiva, s/d)



Não emotivos, activos, secundários: Fleumáticos 

 
 A Característica essencial do fleumático é o senso da medida. Desta qualidade decorrem outras. É frio, perseverante, circunspecto, sombrio. Simples e pontual. Honra e digno de fé. De humor sempre igual como convêm a um não-emotivo, e comedido nas suas, e comedido nas suas manifestações exteriores. (Saraiva, s/d)

Não emotivos, activos, primários: Sanguíneos

 
 Assíduo ao trabalho, vive continuamente ocupado. Dotado de senso prático, visa nas coisas o resultado imediato. Exacto na observação, rápido na concepção, decidido e nítido na atitude.
Distingue-se do colérico em que tem mais presença de espírito, e mais ponderado, menos violento e impulsivo. (Saraiva, s/d)

Não emotivos, não activos, primários: Amorfos

 
 Preguiçoso e pouco pontual. Indiferente ao meio social, tanto como insensível a emoções alheias. Nos amorfos encontram-se frequentemente boas aptidões musicais e cénicas. Salientam-se quase sempre pelo espírito de observação e imitação. (Saraiva, s/d)


Não emotivos, não activos, secundários: Apáticos

Caracteriza-se pela persistência das impressões (sedentariedade) mas falta-lhe intensidade de vida interior (no que se distingue do sentimental) e não revela aptidões especiais (no que se distingue do amorfo). Pouco comunicativo incapaz de simpatia humana. (Saraiva, s/d)

Emotivo,não-activo,secundário: Sentimental

  
o efeito das impressões é nele mais envolvente e perdurável. Sensibilidade profunda e delicada, suporta mal o contacto das realidades. Tem tendência para a introversão. Realiza as condições de uma personalidade rica e forte, mas de uma força interior que dificilmente se projecta, mostra-se tímido no agir. A sua capacidade é menos reflexa e mais reflexiva. Os sentimentos morais desenvolvem-se nele facilmente. (Saraiva, s/d)

Diz Saraiva (s/d), que de um modo geral o carácter apresenta-se como um conjunto de condições inatas e adquiridas, onde as tendências que participam do natural têm um papel importante. Em alguns indivíduos essas tendências agrupam-se sob o domínio de uma delas. Esta tendência dominante, secundada pelas outras, imprime aos actos do indivíduo uma norma constante. Diz-se então que o indivíduo tem um carácter firme.

Em outros indivíduos essas tendências não se agrupam. Conforme as circunstâncias, ora domina uma, ora outra. Destes indivíduos diz-se que têm um carácter fraco.
Finalmente noutros indivíduos as tendências agrupam-se para depois, em presença de circunstâncias novas, se desagregarem, voltando as tendências libertas a formar novos grupos com características diferentes das anteriores. O carácter de tais indivíduos diz-se irregular.

É preciso distinguirmos no estudo dos carácteres o ponto de vista psíquico e o ponto de vista moral. A psicologia procura explicar o carácter ao passo que a moral julga-o. Um carácter firme, sob ponto de vista psíquico, pode ser um mau carácter sob ponto de vista moral. O avarento revela um carácter firme e, contudo, moralmente, o seu carácter é condenável.
Sob o ponto de vista moral, e é esse o que mais interessa, um indivíduo possui um bom carácter quando as suas tendências e os factores adquiridos se agrupam e formam um núcleo de sentimentos elevados, capazes de darem aos seus actos uma direcção constante em todas as circunstâncias da vida, favoráveis ou não, aos seus interesses pessoais. (Saraiva, s/d)

4-Natureza do carácter

Reich foi o primeiro analista a tratar pacientes pela interpretação da natureza e função do seu carácter ao invés de analisar seus sintomas. O carácter surge das atitudes habituais de uma pessoa e do seu padrão consistente de respostas para varias situações. Inclui atitudes e valores conscientes de estilo de comportamento (timidez, agressividade, e assim por diante). E atitudes físicas (postura, hábitos de manutenção e movimentação do corpo) (Reich, 1978).
 O carácter pode ser alterado, adquirido ou apreendido. É a forma como a pessoa encara as consequências futuras, dos seus actos presentes. O carácter vai se estruturando gradativamente no curso da vida, sob influência de factores ambientais (família, educação, condição social, etc.), Os quais actuam de maneira variada, modificando tendências iniciais.

5-Formação do carácter


O carácter não se manifesta de forma definitiva na infância, vai se formando enquanto atravessa as distintas fases do desenvolvimento psicossexual, até alcançar sua completa expressão ao final da adolescência.
O nosso carácter revela na maneira com que lidamos com as pressões e tentações. Mas também e revelado pelas acções do dia-a-dia, incluindo o que dizemos e fazemos quando achamos que não tem ninguém a observar-nos. O modo como tratamos as pessoas que acreditamos não terem poder para nos ajudar, diz muito sobre o nosso carácter, do que o modo como trata pessoas importantes. Pessoas que são honestas, gentis e justas somente quando há algo a ganhar, não devem ser confundidas com pessoas de real carácter, que demonstram essas qualidades habitualmente em qualquer circunstância.
O carácter se forma como uma defesa contra ansiedade criada pelos intensos sentimentos sexuais da criança e consequente medo da punição. A primeira defesa contra este medo e a repreensão, que trava os impulsos sexuais por algum tempo. A medida que as defesas do ego se tornam cronicamente activas e automáticas, elas evoluem para traços caracterológicos.
As defesas do carácter são particularmente efectivas e difíceis de se erradicarem pelo facto de serem bem racionalizadas  pelo individuo e experimentadas como parte do seu autoconceito (Reich, 1978)

5. Relação entre personalidade e o carácter

De acordo com Hansenne (2003), há que distinguir a noção de carácter da noção de personalidade. Os carácteres são definidos como dimensões da personalidade determinadas pela aprendizagem social, e aprendizagem cognitiva, sendo portanto influenciadas por factores do meio ambiente, contrariamente aos temperamentos.

Segundo Volpi (2004), o carácter é a forma como a pessoa mostra-se ao mundo, com seu temperamento e a sua personalidade. É a expressão do temperamento, da personalidade por meio das atitudes de uma pessoa, ou seja, a personalidade a que se atribui valor. E a personalidade e o carácter sem atributo de valor. Portanto, a relação existente entre o carácter e a personalidade é que o carácter é a expressão da personalidade e temperamento do indivíduo por meio das suas atitudes.

6. Conclusão:

Feito o trabalho, o grupo concluiu que o carácter é um conjunto de traços cognitivos próprios do indivíduo e que se manifestam de várias maneiras.
Os tipos de carácter são: nervoso, sentimental, colérico, apaixonado, sanguíneo, fleumático, amorfo e apático. O indivíduo possui três traços caracteriológicos: emotividade, actividade e ressonância.
E quanto à sua formação, vai se estruturando ao longo da vida e não é influenciado pela hereditariedade, mas sim, pela acção do meio ambiente. O carácter é a forma como nos damos com o meio, a forma como nos comportamos na sociedade, sem precisar ser para o benefício próprio. O carácter é propriedade da personalidade, ou seja, o carácter é a expressão da personalidade, a maneira habitual de reagir de cada indivíduo.








7. Referências bibliográficas:

  • Alípio, Costa J & Vale, Manjiricão M. (s/d). Psicologia geral.
  • Bulher, Charlotte. (1900). A psicologia na vida do nosso tempo. Fundação Calouste Gulbenkian. Lisboa.
  • Escarrameia A. Lições de psicologia. 5ª Edição, Porto. Lisboa
  • Cardoso, A. & Fachada. O (1993). Rumos da psicologia. Lisboa. 6ª Edição. Edições Rumo.
  • Hanns, Michael (2003). Psicologia da personalidade. 1ª Edição. Lisboa.
  • Kendler, Howard (s/d). Introdução à Psicologia. II volume 5ᵃ edição. Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa.
  • Reich, W. (1978). Psicologia do Corpo . Editora: Paidos 
  • Saraiva, Augusto (1973). Psicologia. 11ª Edição. Porto: educação nacional.

HÁBITOS E HABILIDADES

TEMA: HÁBITOS E HABILIDADES

 

 

  1. Introdução

O presente trabalho é elaborado no âmbito de leccionação da disciplina de Psicologia Geral que constitui uma das unidades curriculares do curso de licenciatura em Psicologia, oferecido pela Faculdade de Educação da UEM. Com o tema "Hábitos e Habilidades" o grupo pretende alcançar os seguintes objectivos:  

1.1.Objectivo Geral

Compreender a relevância dos Hábitos e Habilidades para a adaptação do indivíduo ao meio ambiente.

 1.1.1. Objectivos Específicos:

  1. Definir o conceito de Hábitos e Habilidades
  2. Classificar os Hábitos
  3. Identificar as funções dos Hábitos
  4. Identificar os factores de aquisição dos Hábitos
  5. Explicar as condições de desaparição dos Hábitos
  6. Características de Hábitos
  7. Explicar a importância dos Hábitos
  8. Identificar as consequências dos Habitos
  9. Definir o conceito de Habilidades
  10. Classificar as Habilidades
  11. Explicar o processo de formação das Habilidades


Para a realização deste trabalho, o grupo baseou-se em revisão de literaturas. Em termos de estrutura, para além desta introdução, o trabalho apresenta, definição de conceitos, classificação dos hábitos, características de hábitos, funções dos hábitos, factoress de aquisição dos hábitos, condições de desaparição dos habitos, importância dos hábitos, as consequências dos hábitos, classificação das habilidades, processo de formação das habilidades, , conclusão e referências bibliográficas.

2. Definição do hábito e habilidades

2.1. Hábito - é uma actividade que através de uma prática prolongada se torna relativamente automática (CHAPLIN, 1981). De acordo com PIÉRON (1977) - hábito é a forma motora da memória, que se manifesta nas actividades facilitadas por sua representação

.2.2. Habilidade – Para Chaplin, 1981, habilidades são capacidades cognitivas e psicomotoras desenvolvidas e demonstradas no exercício de uma determinada actividade, faculdade de realizar um acto. A habilidade pode ser inata ou resultante da prática.

3. Classificação dos hábitos

Para (Saraiva, 1973) os hábitos distribuem-se em três grandes grupos: aptidões, acomodações e necessidades. 

3.1. Aptidões - este autor (citado acima) postula que a aptidões significa que um indivíduo habituado, faz com facilidade e sem esforço o que, sem o hábito, era incapaz de fazer. E não, aptidão requer aprendizagem, e pode definir-se como capacidade para proceder, nas várias circunstâncias da vida, com facilidade e sem esforço.  

3.2. Acomodações - acomodação é endurecer, perder a sensibilidade para as coisas que anteriormente nos perturbavam, ou fortemente impressionavam. E chamadas habituações (habituar-se) e costumes (acostumar-se), as acomodações dependem mais particularmente do exercício, e consiste numa adaptação progressiva do organismo, ou do espírito, aos estímulos. 

 3.3. Necessidades - as necessidades que nós próprios nos criamos. Não são naturais, estranham-se em nós e tão profundamente que lembram os nossos próprios instintos.

4. Funções dos hábitos

Segundo Serrão e Macedo (1974), os hábitos (e suas funções) que podemos contrair são inumeráveis. Mas mais importantes são: Motores, mentais, morais, e fisiológicos.
 
4.1. Motores - vão dos mais simples gestos aos actos mais complicados. Pentear, vestir, escrever, tocar piano, fazer o bordo. 
4.2. Mentais - são disposições para pensar ou agir de certo modo, e podem referir-se tanto à inteligência, como à vontade própria ou sensibilidade: hábitos falar correctamente, ser metódico, prestar atenção, estudar, ouvir música. 
4.3. Morais - Certas virtudes e qualidades pessoas (como paciência, boas maneiras, auto-domínio) só aparentemente são espontâneas, só raramente são, na verdade elas podem ser, e são geralmente aptidões que se adquirem hábitos que se tomam, como fruto da educação. 
4.4. Fisiológico - Habituamo-nos ao frio ao calor e chuva a altitude. O estômago habitua-se a digerir este alimento ou aquele alimento. O organismo habitua-se, ganha tolerância para certos medicamento os cães do pavilive adquiriram, pelo hábito, o reflecto de salivação ao som.

5. Características de hábito

Saraiva 1973, postula as seguintes características no que concerne ao hábito: Anulação da consciência e Automatismo.
  • Anulação da consciência - Esta incosciencialização (ou insensibilização) que, de modo geral, caracteriza o hábito, tem vantagens. A principal é tornar-nos mais resistentes aos aspectos desagradáveis da vida: frio, calor, barulho, sofrimento. Mas o maior de todos é subtrair a nossa atenção aspectos importantes da existência. Quem se habitua a sujidade perde a consciência dela, e não se sente a necessidade da limpeza. A força de nos habituarmos aos desconcertos (e injustiças) que reinam no mundo, acabamos por não dar por eles, e assim o hábito se torna fonte de insensibilidade, aceitação, conformismo.
  • Automatismo - Quem algum dia tirou carta de condução, sabe como, no início, teve de prestar, quase simultaneamente, atenção a um conjunto variado de mecanismos: volante, alavanca de velocidades, engate, travão, luzes (quando de noite). Uma confusão. O mesmo sucede na aprendizagem de qualquer instrumento: violino, piano, etc. Com o tempo, tudo se simplifica: os movimentos, a medida que se mecanizam, passam a realizar-se sem intervenção da atenção, dispensam a reflexão e a vontade. E o automatismo, outra das grandes características do hábito. Pelo automatismo, o hábito realiza estas duas importantes vantagens: simplificação e o domínio de movimentos, economia de esforço.

6. Factores de aquisição dos hábitos


Para saraiva (1973) os factores que podemos encontrar nos hábitos são vários, dentre eles:
  • Atenção-interesse - é um processo cognitivo básico para o processamento da informação, assistindo uma função de exploração do ambiente, no sentido da manutenção da localização dos recursos perceptivos e cognitivos no estímulo, ou uma função de selecção, podendo corresponder a um conjunto de processos que determinam a selecção de estímulos relevantes, dentre vários recebidos (Oliveira, 2010) citando Ramalho et al (2009).
  • Repetição- a repetição è necessária, pois sem aplicação atenta não a progresso na aprendizagem mais não è suficiente, porque o hábito não consiste apenas em saber como executar o acto, mas em ganhar habilidade e naturalidade na execução. A repetição espoes o acto factor da aquisição do hábito.
  • Vontade - mastigar demoradamente o alimento, levantar cedo trabalhar são dois hábitos que podemos considerar excelentes, porque depende, em boa parte a saúde do corpo, o vigor do espírito, o rendimento. Rendimento do trabalho será vulgar? De modo algum, antes são extremamente raros. E porque o são: porque são difíceis, demasiados difíceis na sua aparente facilidade, exigem esforço, sacrifício. Numa palavra só, vontade. Função da vontade- cumprir está a fornecer a continuidade e esforço, nos hábitos difíceis para adquiri-los.

7. Condições de desaparição dos hábitos

Para Saraiva (1973) os hábitos assim como se adquirem, também podem perder-se. O processo de desaparição é exactamente oposto ao da aquisição. Saraiva, defende que por três modos podemos tentar, e obter, a eliminação de um hábito incomodo:
  • Supressão radical - requer energia inicial, pois os primeiros combates são ao que dizem os experientes, verdadeiramente difíceis. Mas pouco a pouco o hábito cede, e a luta torna-se menos penosa. Por outro lado, a alegria do êxito que se alcança e a compensação servem de estímulo para prosseguir.
  • Eliminação progressiva - se o hábito adquirido determinou novo equilíbrio orgânico, não se pode, sem perigo, elimina-lo abruptamente. Aqui, o método das restrições progressivas é, não só aconselhável, mas indispensável. Aliás, ele pode ser aplicado a toda a espécie dos hábitos. O fumador, ou o bebedor, pode preferir o sistema de fumar ou de beber gradualmente menos. O período inicial não será assim tão duro. Em contrapartida, a vontade terá de manter-se durante mais tempo tenso e fiel ao programa que se impôs. O mais leve desaparecimento pode fazer perder num dia o que levou semanas, ou meses, a conseguir. (Saraiva, 1973).
  • Substituição - segundo Saraiva, 1973 a substituição consiste na aquisição de um hábito contrário daquele que se quer destruir. Tem, sobre os anteriores, a vantagem moral de dar um fim positivo a actividade. A sua aplicação nem sempre possível, é sobretudo aconselhável nos hábitos afectivos, os quais, pelo aspecto emocional de que se revestem, tem analogia com as paixões. Assim, a melhor forma de vencer, por exemplo o habito da cólera, é substitui-lo pelo da paciência.

8. Importância dos hábitos

Quer o consideremos do ângulo individual ou social, no aspecto intelectual ou moral, é de primeira grandeza o papel do habito de dependência, em largas medida, a vida dos homens e das colectividades, como efeito: O habito (Saraiva 1973) è uma força essencialmente conservadora: tendências para reproduzir os mesmos actos do mesmo modo. Habituamo-nos à indispensável higiene matinal ao trabalho regular e ao consequente repouso ao nosso jornal e, possivelmente ao nosso café. Ao saudável passeio e a permanência, inevitável, juntos da televisão.

9. Consequências dos hábitos

Para Saraiva (1973) em relação aos hábitos há contudo, dois perigos possíveis:Carência de esforço - pode não cultivar os hábitos bons.
  • Falta de discernimento - pode não evitar os maus hábitos degenerando desta forma então como um vício.
  • Força conservadora (ou função que repete) o hábito pode fechar a iniciativa inteligente e torna-se então sinônimo de rotina.
  • Rotina- é o uso dos métodos (ou formulas) em situações que variaram, e requerem novas fórmulas ou novos modos de proceder. O que define a rotina não é propriamente, a repetição, mas a recusa a inovação e oposição ao progresso.

10. Classificação de habilidades

Para (Saraiva, 1973) as habilidades podem ser classificadas de acordo com os componentes psicológicos que são:
  • Habilidade intelectual - Entende-se como processos mentais de organizações de matérias com vista ao alcance de propósito específica, ou seja os modos de operações e técnicas generalizadas para lidar com problemas (Saraiva, 1973) O conhecimento, material intelectual bruto, transforma-se em habilidade intelectual, a partir do momento que passa a agregar o objecto.
  • Habilidades motrizes ou motoras - Movimento voluntário do corpo e membros, para atingirmos objectivos. É também entendido como um padrão fundamental realizado com precisão, exatidão e controle. 
  • Habilidades visuais - Saraiva, defende habilidades visuais como a capacidade de coordenar as informações visuais. Esta habilidade está ligada a inteligência espacial visual que é a capacidade de perceber o mundo visual com precisão, efectuar transformações e modificações sobre as percepções iniciais e ser capaz de recriar aspectos de experiência visual mesmo na ausência de estímulos físicos relevantes (Saraiva 1973).
  • Habilidades auditivas - Caracteriza-se por um processo em que um som é detectado, encaminhado para a discriminação, reconhecimento e compreensão da informação auditiva significativa. As actividades auditivas são melhores quando incorporam habilidades de comunicação significativas, apropriadas a nível linguístico e cognitivo do indivíduo. (Saraiva, 1973). Para o mesmo autor o desenvolvimento das habilidades auditivas segue a seguinte sequencia:
  • Detenção auditiva: perceber a presença e ausência do som;
  • Discriminação auditiva: discriminar dois ou mais estímulos, dizendo que são iguais ou diferentes.
  • Reconhecimento auditivo: identificar o som, classificando-o e nomeando o que ouviu, repetindo ou apontando o estímulo.
  • Compreensão auditiva: entender os estímulos sonoros sem repetição. Responder perguntas, seguir os sons e recontar histórias.
  • Habilidades óculo-manuais - Designa-se como a boa percepção manual, a capacidade de análise do gesto a ser realizado, o controle neuro-muscular que permite que o movimento seja realizado de maneira harmoniosa (com forca, direcção, amplitude do movimento, intensidade e velocidade adequada), a memória e a visão são factores que já devem estar desenvolvidos para que haja uma boa coordenação motora global. (Saraiva, 1973).

11. Formação de habilidades

Na formação de habilidades há três passos definidos por Saraiva:

  • Primeiro: aprender o conhecimento dos procedimentos; 

  • Segundo: é necessário levar o indivíduo a realizar a acção; 

  • Terceiro: o indivíduo deve exercitar e repetir, isto vai conduzir a automatização.Em suma: formação de habilidades segue a seguinte sequência: deve-se ter o conhecimento dos procedimentos, esta fase é teórica e implica que o indivíduo deve procurar observar atentamente determinada actividade desse modo se prosseguirá para a segunda fase que é necessário levar o indivíduo a realizar a acção, e o primeiro estágio da prática em que um indivíduo implementa o conhecimento. O passo a seguir é a exercitação e repetição, isso conduz a automatização do acto, desse modo o indivíduo aperfeiçoará determinada habilidade, reforçará as acções e terá domínio de todo o sistema complexo de operações.

12. Conclusão

Durante a realização do trabalho o grupo concluiu que hábito é uma actividade através duma prática prolongada que se torna automática ; os hábitos podem ser classificados por aptidões, acomodações e necessidades, também concluímos que a anulação da consciência e automatismo são duas características fundamentais do hábito. Os hábitos tem funções motoras, mentais, morais e fisiológicas, eles tem como factores de aquisição: atenção, repetição e vontade; para eliminação dum hábito incômodo te se a supressão radical, eliminação progressiva substituição; a carência do esforço e a falta de discernimento são dois perigos possiveis em relação aos hábitos. 

Embora os hábitos tenham este perigo eles tambem são importantes pois contem uma força conservadora, e por fim concluímos que habilidades são capacidades cognitivas psicomotoras desenvolvidas e demonstradas numa determinada actividade e podem ser intelectuias, motizes, visuais, auditivas e óculo-manuais, elas podem ser formadas estabelecendo passos que visam a aprendizagem do conhecimento dos procedimentos a realização da açcão a execução e repetiçao da açcao.

13. Referencias Bibliográficas

  • Chaplin, James (1981). Dicionário de Psicologia. Publicações Dom Queixote,
  • Lisboa.Petrovsky, A. V.(1980). Psicologia Geral. Moscovo.Páscoa, A. e Pestana, E.(1998).
  •  Dicionário breve de Psicologia. Editorial Presença.Saraiva, Augusto (s/d). Psicologia. 7a edição, Editora Educação Nacional, Porto.http://www.bvs-psi.org.br/- Biblioteca virtual de psicologia.www.carlosmartins.com.br/habilidades.ht